Homilia Dom Vito Lavezzo - Solenidade de Santo Afonso Maria de Ligório

Amados irmãos e amadas irmãs, minhas singelas saudações a todos vocês.

Hoje o povo de Deus e, principalmente, a família redentorista se alegram pela solenidade de Santo Afonso Maria de Ligório, pai de nosso carisma e precursor de nossa missão de levar a redenção de Cristo aos confins do mundo, como nos mandou o próprio Cristo, o redentor da humanidade.

A primeira leitura de hoje nos remete à importância de sermos Igreja. Neste contexto que o antigo testamento nos tem inserido na liturgia dos últimos dias, a esta altura Moisés já promoveu a páscoa judaica e vive, junto de seu povo, mais um período de longa provação e desertificação. Como já vimos, antes de libertar o povo hebreu, o Senhor preparou Moisés para a missão com a desertificação. Em seu envio, Moisés já tinha conhecimento do que significava ser o pastor de um rebanho e, em sua nova desertificação pós-Páscoa judaica, ele pratica a fase final de sua missão: ser Igreja. Não basta que busquemos a libertação, se não buscamos ser Igreja. Ser Igreja, sobretudo, é buscar a intimidade com Deus no silêncio de nossas orações. Moisés edifica uma tenda em que poderia estar junto de Deus. E o Senhor, vendo em Moisés seu desejo incansável de estar próximo para ele, revela-se como um Deus "misericordioso e clemente, paciente, rico em bondade e fiel, que conserva a misericórdia por mil gerações, e perdoa culpas, rebeldias e pecados" (Ex 33, 6-7). Em sua missão, anunciando a redenção de Cristo e cativando corações por onde vagou, Santo Afonso buscou que suas ovelhas enxergassem esta face misericordiosa e cheia de amor que o Senhor possui, porque o Senhor é indulgente e favorável, como nos alerta o salmista.

Para isto, como nos insere o evangelho de São Mateus, devemos nos preparar para uma colheita que, cedo ou tarde, nos atingirá. Embora Deus possua sim esta face misericordiosa e cheia de amor, sua infinita bondade não pode ser confundida com tolice. O Reino de Deus é o destino das boas sementes que escolhem ser trigo. Santo Afonso já nos alertava que "quem reza, se salva; quem não reza, se condena". Temos a responsabilidade de enxergarmos no sacrifício de Jesus este amor de Deus, pois, ao longo de nossa vida, muitos são os esforços do Senhor para nos apresentar sua face misericordiosa. A liturgia de hoje é um verdadeiro chamado de Deus, conciliando o novo e antigo testamento, para que a humanidade se converta a uma vida íntima a Ele, buscando seu auxílio na Igreja e por meio de nossas orações pessoais.

E é por isso, meus irmãos e minhas irmãs, que esta palavra de hoje é tão propícia para falarmos de Santo Afonso, que ao longe de sua vida, foi constituído por Deus como referencial na arte de falar sobre a Justiça do Pai e seu código de conduta moral, que de forma alguma se prende a legalismos, mas sim a uma vontade verdadeira de se converter a CRISTO. Quando afirmamos que Jesus carregou nossos pecados na cruz, o escopo de Deus não era de maneira nenhuma passar a mão nas nossas cabeças e dizer "pronto, filho, está limpo e pode voltar a viver normalmente". Deus é indulgente sim. Ele é misericordioso sim. Mas Deus não é tolo. Jesus carrega nossos pecados e é como se nos dissesse suplicante: "veja aqui o que eu estou fazendo por ti, filho. Abandona esta mácula, porque eu estou a carregando por ti. Busque apenas a casa de nossa família, que é a família de Deus".

Pela intercessão de Santo Afonso, ouçamos o chamado do Senhor para compor o teu Reino. Que a nossa páscoa seja leve e façamos parte de sua colheita de trigo.