Homilia Dom Vito Lavezzo - Abertura do Tríduo de Santo Afonso Maria de Ligório

Amados irmãos e amadas irmãs, minhas singelas saudações a todos e todas. De modo especial, quero saudar o nosso Beatíssimo Padre, redentorista, Paulo V, em nome de todo o povo de Deus. De igual modo, saúdo o Prepósito-Geral de nossa Congregação Redentorista e sucessor de Santo Afonso, Dom Eugênio Lorscheider, em nome dos missionários redentoristas de todo o mundo.

Hoje celebramos a abertura do Tríduo em honra a nosso Pai Fundador e liturgia da Palavra nos introduz ao âmago do tema que Santo Afonso mais se interessava em falar: o amor de Deus. Na primeira leitura, o apóstolo São João exalta com clareza o amor de Deus sobre nós, figurado em seu próprio sacrifício pela redenção do mundo. Esta redenção caracteriza um dos pilares do carisma espiritual redentorista, que é a própria Cruz de Cristo, ou seja, a redenção de todo o mundo. Não a toa, quis Santo Afonso nos denominar com a alcunha de redentoristas, pois nossa missão se revela justamente na necessidade de levar aos povos o conhecimento desta redenção que o Senhor Jesus nos oferece por meio de seu tão sublime amor convertido em sacrifício. O Pai nos perdoou, porque seu Filho carregou na cruz os pecados de toda a humanidade. Por meio de seu Espírito, hoje, todos nós somos habitados por Deus, até mesmo aqueles que Nele não creem. Desta forma, se tão sublime é o amor de Deus, não poderíamos nós não partilharmos deste amor. Temos, portanto, a obrigação de não amar somente a Deus, como também, amar aos nossos irmãos, pois esta é uma forma indireta de amar a Deus. É de bom grado aos olhos de Deus que não pratiquemos a redenção apenas aos pés da Cruz, mas também entre nós mesmos, perdoando-nos mutuamente pelas nossas faltas e trilhando, em unidade, um caminho rumo ao reino de Deus.

No evangelho de João que ouvimos, novamente o apóstolo nos quer mostrar o poder desta fé no poder de Deus e em sua ilimitada capacidade de amar aos seus. Nesta passagem, Jesus promete às aflitas irmãs Marta e Maria Betânia que seu irmão Lázaro ressuscitaria. Mas por que Jesus escolhe Lázaro, se tantas são as enfermidades do mundo? O próprio evangelho nos dá  esta resposta, meus irmãos e minhas irmãs. Vejamos... Se voltarmos um pouco antes desta passagem, veremos que Lázaro havia adoecido e, para aquela época, qualquer enfermidade mínima era um risco à vida. Mas aquelas irmãs tinham sua fé para socorrê-las e ambas enviam uma mensagem a Jesus, para que pudessem ver Lázaro. Elas tinham fé, meus queridos. Elas sabiam do alcance do amor de Deus. E por isso, o próprio Jesus afirma a seus discípulos que a morte de Lázaro serviria como meio do Filho de Deus ser glorificado por meio dela (cf. Jo 11, 4-6). Esta é a primeira demonstração de amor de Marta e Maria por Deus. Ao chegar à casa de Betânia, Jesus já se depara com Lázaro morto e, neste momento, promete que irá ressuscitá-lo. Marta não duvida do Senhor, como tantos fizeram. Mas, pelo contrário, afirma e reitera que crê na Páscoa do Senhor e que esta libertação chegaria a todos, porque esta é a missão do Messias. Aí estão a segunda e o terceira demonstrações do amor de Marta e Maria por Deus. Elas bendizem o Senhor a todo tempo, como alertou o salmista.

Meus irmãos e minhas irmãs, Deus nos mostra seu amor a todo o tempo. Nossos santos celebrados hoje, Marta, Maria e Lázaro, souberam enxergar este amor ainda em vida. Santo Afonso, em suas obras e em sua missão, também souberam enxergar este amor ainda em vida, enxergando na copiosa redenção a irrefutável prova de que o Senhor é um "Deus enlouquecido de amor pela humanidade". Gostaria de, neste momento, destacar um trecho de uma das obras de Santo Afonso, pela qual tenho muito gosto. Em um de seus poemas na sua obra "Novena de Natal", em um diálogo entre o Filho e o Pai, assim descreveu Santo Afonso: "Apesar de tudo que fizemos, Pai, para ganhar o amor do homem e da mulher, eles ainda não reconhecem nosso amor a eles. Mas podemos os obrigar a nos amar se eu, Seu Filho, para redimir a humanidade, fosse para a Terra e assumisse a carne humana, e oferecesse a toda humanidade o dom da salvação, doando minha vida para eles, na Eucaristia e na Cruz." O Pai, naturalmente comovido com a atitude do Filho, disse: "Mas, filho, se for lá, eles vão crucificar você!" E o Filho, por sua vez, disse: "Mesmo assim, Pai, eu vou – tenho que mostrar-lhes Seu coração amoroso e salvador". De fato, meus irmãos e minhas irmãs, um Deus enlouquecido por seus filhos, phor nós. Escolheu assumir a fragilidade da forma humana para glorificar ao Pai. Nas palavras do teólogo Leonardo Boff, "Todo menino quer ser homem. Todo homem quer ser rei. Todo rei quer ser Deus. Só Deus quis ser menino".

Que por estas palavras, meus irmãos e minhas irmãs, por meio dos testemunhos de Santo Afonso, Santa Marta, Santa Maria Betânia e São Lázaro não sejamos apenas tocados pelo amor de Deus, porque isto não precisamos nem pedir. Ele já o faz a todo tempo. Mas que sejamos abertos e saibamos reconhecer o seu tão sublime amor phor nós, para que alcancemos, um dia, a dignidade de estar contigo em seu Reino.