Homilia Dom Vito Lavezzo - Semana Litúrgica dos 17 anos da Igreja no Habbo

Amados irmãos e amadas irmãs, minhas singelas saudações a todos vocês.

A primeira leitura, extraída do livro do Êxodo, nos leva ao princípio da vida de Moisés, libertador do povo hebreu frente à opressão da classe dominante egípcia naqueles antigos tempos. De origem hebraica, não é nenhum exagero dizer que Moisés estava fadado ao fracasso, já que a perseguição do reinado egípcio o faria ser morto ainda bebê, pois não serviria como um escravo. Como nosso contexto histórico nos mostra que - não apenas no período que Moisés viveu - sempre há um projeto político da classe dominante para extinguir o oprimido ou submetê-los ao seu jugo pesado de escravidão. Uma escravidão muitas vezes legalizada. Da mesma forma foi concebido nosso Senhor, também condenado à morte antes mesmo de seu nascimento. Essas histórias que são tão próximas pela perseguição, alimenta-nos a esperança de que também somos alvos de um plano de Deus, a quem devemos confiança e procura constante em sua Igreja. Muitas vezes falhamos e nos deixamos esquecer destas ações de Deus em nosso favor, principalmente quando enfrentamos situações tortuosas em nossas vidas. Moisés também precisou passar por estas situações tortuosas da vida, quando precisou desertificar para fugir da morte certa no Egito. O deserto converteu Moisés, que antes justiceiro sanguinário, tornou-se o grande libertador de um povo sofrido. O sofrimento serviu a Moisés como vetor de sua transformação que, humilde, procurou ao Senhor Deus, que lhe reviveu seu coração, como nos alertou o salmista. Devemos seguir seu exemplo, enfrentando nossos contratempos cotidianos como vetores de nossas transformações em pessoas mais amorosas e moldadas à vontade de Deus.

No evangelho narrado por São Mateus, vemos a passagem da censura de Jesus em desfavor de Corazim, Betsaida e Cafarnaum. Estas cidades, mesmo tendo presenciado os feitos milagrosos de Jesus, ainda sim incorriam em pecados graves e escolhiam se afastar de uma vida voltada ao desejo de entrar no céu, que era a grande promessa libertadora do Senhor enquanto exerceu seu ministério neste solo. E é muito interessante nós observamos isso, porque quase se fazem a mesma questão: como que estas cidades, mesmo diante de uma graça tão transparente e salutar, ainda sim se negavam a seguir Jesus e se abraçavam ao pecado? Embora seja mesmo um cenário absurdo de se enxergar, vemos isto até os dias de hoje. Como diz o velho ditado, o maior cego de todos é aquele que tem olhos para enxergar e ainda sim preferem não ver. Jesus se espantava com esta cegueira escolhida, assim como até hoje podemos nos deparar com situações em que as pessoas, mesmo diante de uma graça de Deus, preferem se cegar ao invés de desfrutá-la. Um bom exemplo, não tão distante, vimos no ápice da pandemia do COVID-19. Com tantos irmãos e irmãs falecendo, deixando seus familiares com a dor da perda, ainda sim existiam aqueles que negavam a graça da vacina. Escolhiam por não fomentar os efeitos benéficos da vacina, e sim por transmitir vírus ainda piores que o da COVID-19, como o vírus do negacionismo, o vírus da desinformação, o vírus da ignorância, o vírus da perversidade e, o maior deles, que origina todos os outros: o vírus do ódio.

Nesta nossa "desertificação" diária, as turbulências desviam nosso foco em relação às graças e bençãos que Deus nos fornece todos os dias. Precisamos sempre estar renovando nossa habilidade de enxergar as boas obras que Deus edifica por nós. Estes 17 anos de Igreja é mais uma das obras que Deus nos permitiu concretizar. São anos e anos, de renovação em renovação, pessoas que vão e pessoas que vêm, mas todas com o mesmo objetivo de manter este plano de Deus, erguido por Vinicius, Victor e Carlos.

Peçamos hoje que Deus nos conceda a graça e força de manter seu plano de pé, permitindo sempre que novas gerações, bem instruídas e cheias do Espírito Santo possam seguir com o propósito da evangelização no meio virtual.