Amados irmãos e amadas irmãs, minhas singelas saudações a todos vocês.
A primeira leitura, extraída do livro do Êxodo, é uma continuidade da passagem que acompanhamos na liturgia da palavra desde ontem, com o início da história de Moisés e sua desertificação para preparação à sua grande missão de libertar o povo hebreu, oprimido pela tirania egípcia. Nesta passagem, podemos ver o resultado daquele plano de Deus de mandá-lo ao deserto, a fim de moldá-lo segundo suas virtudes. Enquanto ontem, antes de sua desertificação, Moisés se mostrava um justiceiro sanguinário, na leitura de hoje sua postura já é outra ao se deparar com aquilo que sabe que é sagrado: o próprio Deus que apareceu no fogo da sarça. Sua reverência e temor em olhar para Deus demonstram que sua desertificação serviu para compreender que a obediência aos preceitos do Pai o fariam progredir em sua jornada rumo ao Reino. Deus percebe isso, conclui que Moisés estava preparado e decide ordená-lo para libertar os hebreus. Naturalmente, embora haja compreendido o sagrado, Moisés teme e vive sua própria agonia, pois sabe que, assim como nascer um hebreu, se voltar contra o poder egípcio também era uma sentença de morte certa. Ontem, comparei o início da vida de Moisés com o início da vida de Jesus, já que ambos nasceram com sentenças de morte prolatadas. Mais uma vez é possível fazer esta comparação nesta agonia de Moisés, já que o próprio Senhor também agonizou antes de caminhar como cordeiro ao abate. Ambos se fortaleceram em suas missões por saberem que o que os aguardava era a Páscoa. Moisés promoveu a páscoa judaica, enquanto Jesus promoveu a páscoa de toda a cristandade. Suas jornadas se aproximam de maneira íntima, porque ambos passaram pela vida perseguida, pela desertificação, pelo envio e pela Páscoa. Inspirados por este intertextualização, somos também convocados a vivermos uma missão, visando nossa Páscoa que ocorrerá logo mais a frente. Esta vida eterna que almejamos depende que cumpramos com o propósito redentoristas que o Senhor Jesus, por intercessão de nosso pai Santo Afonso, nos vocacionou.
No evangelho de Mateus, o Senhor se encontra em seu momento de oração diante do Pai. Jesus louva ao Pai por ter revelado a verdade aos pequeninos e não aos sábios e entendidos. Para que possamos compreender as razões desta oração, precisamos considerar que o Senhor já havia tido estrada no exercício de seu ministério. Por onde passou, angariou muitos fiéis, dentre eles, muitos que se entregaram a uma vida de discipulado ao seu redor. E, obviamente, também angariou muitas desavenças. Como diz o famoso ditado popular, "nem Jesus agradou a todos". E de fato, não agradou. Estes que não foram agradados pelo Senhor, são justamente os "sábios e entendidos" que Jesus se refere no evangelho. Claramente se trata de uma alcunha do Filho para se referir ao Pai sobre aqueles que possuíam suas próprias convicções petrificadas em seus corações. Enraizadas de tal modo, que nem mesmo o próprio Deus encarnado conseguiria desfazê-las com meras palavras ou até mesmo com milagres públicos. Esta prepotência, arrogância e negação que encontramos nos "donos da verdade", não são vistas nos pequeninos. Ao falar pequeninos, Jesus não fala apenas das crianças, mas também dos adultos que se colocavam a ouvi-lo e compreendiam o sentido de seu ministério e a existência de um Reino celeste que abraçaria a todos que celebrassem o mistério da redenção. São pequeninos porque se apequenam diante de Deus e escolhem tê-lo como verdade. Nossa opção também deve ser pela pequenez. As regalias do mundo, por vezes, bem como nossas convicções irredutíveis, nos seduzem e nos afastam de Deus, fazendo com que assumamos a posição de sábios e entendidos. Esta sabedoria e entendimento são ilusórias e não nos permite chegar ao Reino dos céus, porque o verdadeiro sábio e entendido é aquele que se faz pequenino diante de Deus.
Diante disso tudo, nossas intenções de oração para hoje, nesta missa pré-capitular em que meus confrades e eu nos reuniremos para eleger um novo Governo Geral para nossa ínclita congregação redentorista, se voltam para que meus irmãos missionários jamais se esqueçam de que seu propósito na Terra é ser pequeno diante de Deus e fazer também dos outros pequenos, para que possamos um dia, juntos, celebrarmos o amor de Deus em sua moradia gloriosa.

