Homilia Dom Vito Lavezzo - Vigília da Assunção

Eminentíssimo Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, em seu nome saúdo a todos os presentes nesta celebração eucarística. É um grande prazer pra mim retornar à histórica Basílica da Imaculada depois de tanto tempo. Templo este que carrega a glória histórica de já ter servido à Santa Igreja como Basílica de São Pedro, e hoje sendo o mais, ou um dos mais antigos templos marianos do Habbo. Estar aqui é sempre gratificante.

Hoje nos reunirmos para celebrar a vigília da Assunção de Nossa Senhora. A Bem-aventurada Virgem Maria, após sua peregrinação terrena, tendo sido preservada do pecado original e de toda a mácula que o mundo oferece, é elevada aos céus, de corpo e alma, para fazer morada junto ao seu Filho. Nossa Senhora, pelo poder de Deus, sobe aos céus para que possa se reaproximar de seu Filho, aquele ao qual testemunhou seu ministério do início ao fim. Aquele ao qual Nossa Senhora sofreu pela suas dores, porém exultou pelos seus amores. Maria é elevada para que possa se aproximar ainda mais de seu Filho, estando agora na eternidade junto Dele, e intercedendo por todos os seus outros filhos aos quais Jesus a confiou.

A liturgia da palavra de hoje nos expõe dois pontos centrais da vida de Nossa Senhora: Maria é o tabernáculo vivo e consigo leva a promessa da Salvação; Maria não é apenas a Mãe de Deus, mas também é a serva de sua vontade.

Na primeira leitura, vemos um trecho em que os povos antigos organizam uma grande recepção de translado da arca da aliança. É possível ver que Davi, junto dos filhos de Aarão e dos levitas, não economizam a fazer a mais rica solenidade para receber a arca da aliança. Para que compreendamos o sentido desta leitura e aplicabilidade de sua semântica na vigília da Assunção, é preciso que saibamos o que é a arca da aliança. Esta arca, como seu próprio nome sugere, é o símbolo da aliança entre Deus e o povo de Israel. Ali guarda-se as tábuas escritas por Moisés a mando do Pai, e também recorda a primeira aliança firmada entre o Senhor e Abraão, que posteriormente é renovada para a eternidade com a instituição da eucaristia. Neste escopo, portanto, a arca da aliança guarda a promessa de Deus, a salvação que Deus oferece ao seu povo e os pede que sigam. Ora, meus irmãos e irmãs, Maria também nos é arca da aliança, pois ela guarda não apenas aquilo que é de Deus, MAS SIM O PRÓPRIO DEUS! Sua adequação no tempo e na história da salvação é, sobretudo, algo muito superior à arca da aliança, pois Maria é o sacrário vivo e assunto ao céu. Da mesma forma que o povo de Israel organiza toda uma solenidade para receber a arca da aliança, também Deus, reconhecendo a vivência terrena de Maria, organiza a mais bela solenidade para recebê-la como Santíssima, não permitindo que seu corpo perecesse na forma humana. Sim, meus irmãos e irmãs, Deus organizou a festa para receber Nossa Senhora em seu reino, como anuncia o Salmo, estando presentes todos os filhos que Maria adotou para si.

Na segunda Leitura, em que São Paulo se dirige ao povo de Corinto, o Apóstolo busca implantar em todos nós não apenas um convite, mas uma missão de vida: todos devemos almejar vencer a morte. Todos devemos ser corpos revestidos de incorruptibilidade e imortalidade, para que a morte não tenha chance contra nós. A morte é o pecado, e quem se afasta dele não pode ser alcançado pela morte. A morte se nutre de nossas máculas e, quando escolhemos nos afastar de Cristo para nos revestir da sujeira do mundo, estamos fazendo uma escolha de afastamento destes artifícios que nos possibilitam vencer a morte. Jesus venceu a morte, porque o Filho de Deus e seu poder o revestia da glória suficiente para afastar a morte de seu alcance. O mesmo Deus que revestiu seu Filho de poder para vencer a morte, foi aquele que elegeu Maria como mais uma que venceria a morte, por esta ter sido preservada do pecado e ter servido com amor enquanto peregrinou pela Terra. Maria desarmou a morte contra si, porque Maria nunca se afastou das coisas de Deus.

Na conclusão dos escritos de hoje, o evangelista Lucas nos narra um dos muitos episódios em que Jesus falava à multidão. Vislumbrada pelos ensinamentos do Senhor, uma mulher exalta à mãe de Deus pelo simples fato de ter dado a luz ao Senhor. De fato, tão grande é a glória de ser o sacrário vivo e isto é reconhecido por aquela mulher que se converteu pela evangelização de Jesus. Porém, não obstante, Nosso Senhor reconhece em sua Mãe o que verdadeiramente a rende a qualificação de ser digna de sua assunção: Maria ouviu a palavra de Deus e, mais importante, Maria a colocou em prática! E está aí a grande dificuldade desde o início dos tempos, meus irmãos… Colocar a palavra de Deus em prática. Maria fez-se serva e viveu com a alegria de quem servia por amor. Foi glorificada por Deus, por ter sido o mais perfeito modelo de serviço pela copiosa redenção, logo após Jesus.

Hoje, meus irmãos e minhas irmãs, assim como Deus o fez ao subir com Maria aos céus, somos chamados a também organizar a mais bela solenidade para rogar a intercessão da Mãe de Deus e nossa. 


Que pela graça santificante, peçamos a Deus que nos aproximemos cada vez mais do modelo de Nossa Senhora, e que sejamos agraciados com o dom de vencer a morte.