Homilia Dom Vito Alberti Cardeal Lavezzo - 1° dia Semana Natividade de Maria

Amados irmãos e amadas irmãs presentes, minhas singelas saudações a todos vós. De modo especial, quero saudar Dom Raul Gabriel Steiner, nosso reitor, que fez a bela obra de reunir os irmãos de boa parte das ordens religiosas do habbo, reunir as arquidiocese e demais circunscrições, para juntos iniciarmos esta festa tão linda que é a semana que antecede a natividade da mãe de Deus e nossa mãe. Ela que, pelo dom do Espírito Santo e vontade do Pai, foi preservada de todo o tipo de mácula que pudesse denegrir a sua alma, o que a impediria de conceber o amor personificado, que é seu Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo.

Deste Espírito que falo, vem a primeira leitura da carta de São Paulo aos Coríntios, onde o apóstolo nos fala acerca deste Espírito Santo que habita em nós. Todos nós, filhos de Deus e dotados de diferenças que nos exclusivisam de uma maneira humana, pode-se dizer assim, em nossa vivência na terra possuímos dois espíritos: aquele espírito natural, que todos temos em diferença; e o Espírito de Deus, que habita e nos revela a graça do Pai. Em poucas palavras, São Paulo nos passa a mensagem de que toda a vida humana deve ser vivida no engrandecimento do Espírito de Deus que está intrínseco a nós. Todos temos o privilégio de ter este espírito, porque todo filho de Deus é consolado por esta repartição do amor divino. Quando não vivemos para o engrandecimento deste Espírito, preferimos viver uma vida mundana e que engrandece apenas ao nosso Espírito natural, acabamos por percorrer o caminho do egoísmo, do egocentrismo, colocando a nós mesmos como centro de nossa existência. Esta elevação pessoa comum de toda criatura humana é o que separa o homem de Deus, é o que impede que a verdade seja revelada e praticada por meio do Santo Espírito que habita em nós.

No evangelho lucano de Nosso Senhor, vemos a passagem em que Jesus expulsa o demônio do corpo de um homem que se encontrava na sinagoga, um local tido como sagrado, tanto pelos próprios judeus, como também pelo próprio Jesus, já que aquela sinagoga era tida como a casa de Deus, logo, ele sendo Deus e filho do Pai, poderia passar a doutrina para os que ali se encontravam. Porém, inesperadamente, o demônio manifesta-se por meio de um homem. Vemos o quão grande é a graça que Jesus exala ao ponto de incomodar e expulsar um demônio que habitava no pecador. Um detalhe muito importante a ser observado é que nem a sacralidade da sinagoga era capaz de expulsar o demônio. De igual modo, nem a sacralidade de nossas Igrejas é capaz de expulsar o demônio. Isto não torna o templo menos sacro. Mas por que isso acontece? Acontece porque o demônio se alimenta é de uma alma imunda em mácula, e não há templo que o expulse, isto porque é uma ligação do Espírito natural de um homem com o Espírito maligno do demônio. Ao confrontar Jesus, vemos que o demônio não resiste e acaba sendo expulso. Isso acontece porque, diferente do homem que o demônio habitava, a graça de Espírito do Senhor era permanente e sua força era capaz de expulsar a todo o mal em sua volta. O mal não consegue resistir à luz que Cristo emana.

Tão grande é a ligação entre o evangelho de hoje e a nossa primeira leitura. Sobre a primeira leitura, eu falava sobre o engrandecimento do espírito natural e o consequente rebaixamento do Espírito Santo, enquanto no evangelho, tratamos sobre o Espírito maligno que se apondera do Espírito imundo do homem pecador, porque este vive longe do estado de graça. Quando vivemos conforme os preceitos de Jesus, nós nos fazemos bem-aventurados. Quando preferimos viver conforme nossa vontade, nos afastamos dessa bem-aventurança e nos tornamos pratos cheios para que o demônio se alimente. Não há o que temer aquele que vive conforme o Senhor nos manda viver neste peregrinação em Terra, isto porque o agraciado é imune à ação do maligno e garante para si um lugar na morada eterna do Senhor, em seu reino de amor.

Amados irmãos e amadas irmãs, que Deus nos conceda a graça de sermos mais semelhantes à Maria e aos santos e santas que nos antecederam, para que, assim como eles, tenhamos uma alma cada vez menos consumida, porém preservada pela graça de Deus.