Amados irmãos e amadas irmãs presentes, minhas singelas saudações a todos vós. De modo especial, cumprimento o bispo diocesano anfitrião, Dom Gianfranco Ravassi, que pelo seu imenso vigor pastoral, convidou-me para este território para, juntos, em comunidade, celebrarmos uma missa na intenção de nossa tão amada pátria, que o Brasil que nos orgulhamos.
Na primeira leitura, extraída da epístola de São Paulo aos Coríntios, o apóstolo faz uma narrativa bem incisiva quanto a uma problemática que se fazia muito presente naquele território de Corinto. Paulo manifestava com veemência sua preocupação com a comodidade que o pecado se instalava em meio ao povo. Como exemplo, Paulo escolhe falar da luxúria, mas sabemos que a aceitabilidade da raça humana aos diferentes tipos de mácula que corrompem o coração vai muito além da luxúria. O apóstolo dos gentios pontua que a pessoa humana tem uma clara tendência a incorporar em si mesma os fermentos que o mundo oferece. Estes fermentos são a linguagem metafórica que São Paulo acha para definir aquilo que nos modifica, aquilo que nos faz inflar por fora, sermos grandes "pães" ao mundo, porém mortos espiritualmente. Para sanar este problema que é visto não só em Corinto, mas em outros povos que São Paulo se dirige em seus escritos, o apóstolo convida a serem pães sem fermento, ou seja, que não busca o engrandecimento pessoal pelos pecados do mundo, mas que prefere buscar Cristo como este fermento. Um fermento que não nos infla, mas que nos faz crescer espiritualmente, tomando o Jesus, o cordeiro imolado, como fonte da vida.
Agora, olhando para o evangelho que nos é apresentado nesta liturgia da palavra, São Lucas nos narra a passagem que, num dia de sábado, Jesus cura um homem que possuía a mão seca. Esta é uma enfermidade tão triste e era tão comum naquele tempo, dificultava a mobilidade de quem a tinha, além de gerar também muita exclusão social. Isto é fruto de uma mentalidade humana que concerne o pensamento de que a perfeição é algo exterior. Perfeito é aquele que é corporalmente normal, pensa a sociedade contemporânea e também a sociedade daqueles anos, o que refletia na postura social de oprimido daquele pobre homem. Jesus compadece-se de sua situação, antes mesmo que o homem o procure, e o dá a cura. Ao fazer isso, é confronta os mestres da lei e o fariseus, pois fazia isso ao invés de estar guardando o sábado. Vejam como eu vos apresentei duas futilidades que a raça humana sobrepõe em suas vidas diversas vezes: primeiro ao julgar o pobre homem pela sua condição física; segundo por priorizar uma tradição inútil do que priorizar um ato de amor. Ao operar aquele milagre no homem, Jesus demonstra que o amor de Deus pode sobressair qualquer tradição, qualquer lei, qualquer mandamento. Isto se dá porque Jesus modifica todo o costume ao interpor que os dois maiores mandamentos de todo o filho do Homem devem ser o amor a Deus e o amor ao irmão.
Amados irmãos e amadas irmãs, a liturgia de hoje é muito propícia para uma reflexão interna de cada um de nós. Devemos pensar hoje se estamos escolhendo tomar o fermento do mundo, que nos faz crescer para o mundo, mas diminuir para Deus. Devemos pensar se estamos permitindo que este fermento do mundo nos está fazendo viver em pecado, mas morrer espiritualmente. Não somente isso, mas também vos convido a refletir se estão abrindo mão de suas rotinas para cultivar de forma mais profunda o teu amor pelo Pai e pelo teu irmão.
Nesta missa que celebramos pela pátria, peçamos a Deus que floresça em nós uma maior capacidade de amar, principalmente amar o Brasil. Não digo o Brasil, o território em si, mas aquilo que o Brasil compreende: um povo esperançoso, um povo sofrido, um povo carente de auxílio. Peçamos a graça de um crescimento cada vez mais ardente desta nação, em especial a comunhão que seu povo deve viver, para que sigam firmes no propósito que Deus tem para cada um de nós.

