Tema: “Bom Jesus: amor que leva à perfeição”
Passagem Bíblica: "Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos [maltratam e] perseguem. Deste modo sereis os filhos de vosso Pai do céu, pois ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos. Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem assim os próprios publicanos? Se saudais apenas vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não fazem isso também os pagãos? Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito” – Mt 5, 44-48
Amados irmãos e amadas irmãs, minhas singelas saudações a todos vós. De modo especial, saúdo nosso pastor máximo e pai espiritual, o Santo Padre João Paulo VII, em nome de todo o clero residente e clero que visita esta gruta no dia de hoje, bem como estendo esta saudação aos Padres Hery Cardoso e Cardos Emanvel, que administram com tanto zelo e vigor pastoral este templo, conduzindo esta novena com maestria.
Hoje somos introduzidos à temática da perfeição. Um amor virtuoso que nos leva a uma perfeição da alma, esta que por nós deve ser conservada a todo instante, por ser a vontade de Deus Pai que nos concede o dom da vida. Uma vida bem vivida deve ser vivida para Deus, segundo a sua vontade, segundo seus preceitos e, principalmente, vivendo o seu amor. Os dois maiores mandamentos que o cristão deve seguir estão baseados no amor: o primeiro é amar a Deus sobre todos as coisas, sobre todos os seres, sobre todo o mundo, de toda a nossa alma, de todo o nosso coração e de todo o nosso entendimento (Mt 22, 37). E como o segundo maior temos o amor pelo nosso irmão. Não só o irmão que está conosco para todo o momento, nas alegrias e nas tristezas, nas tempestades e nas bonanças, mas também aquele irmão que está distante de nós. Esta distância pode ser definida de tantas maneiras. Uma distância física, uma distância espiritual, uma distância causada pelos atritos e intrigas, todavia isto é o que menos importante. Todos os irmãos distantes devem ser dignos do amor que parte de cada um de nós, sendo este amor fruto de nossa comunhão e intimidade que cultivamos com Deus, pois o amor emana do Pai. Nas palavras de São Paulo Apóstolo, em relação ao amor, virtude maior não há (I Cor 13, 13), isto porque o amor é o vínculo para a perfeição (Col 3, 14). Logo, diante do que Deus nos fala através de suas sagradas palavras, podemos concluir que não há Deus sem o amor, não há perfeição sem o amor. Deus é perfeito porque ele é a fonte de todo o amor e, tomando estes dois mandamentos comentados como diretrizes para falarmos neste dia de hoje, podemos dizer que amar aos nossos irmãos, principalmente aqueles que estão mais distantes, é uma forma indireta de também amarmos a Deus, é uma forma de dizermos que Deus habita em nós com seu Santo Espírito, de que percorremos o caminho que o Senhor almejou para nós nesta passagem bíblica que lemos hoje: o caminho para a perfeição.
Sobre este tocante, tão bem se encaixa esta fala de Jesus para nós neste tempo em que vivemos, onde a Igreja se faz cada vez maior com a sua unificação. Muitos sucumbem a um pensamento egoísta, com o objetivo de manter a desordem no interior da Igreja, mesmo com a sua unificação. Ora, meus caros irmãos e irmãs, sobre isto Jesus nos questiona no dia de hoje: "Se saudais apenas vossos irmãos, que fazeis de extraordinário?". Com isso, Jesus quer nos dizer que amar nossos irmãos mais próximos, os amigos, a esposa, o marido, os filhos, os demais parentes, é um ato muito fácil. Não que ele não mereça louvor... O amor por aqueles que estão próximos a nós deve ser puro e intenso, todavia não é extraordinário que façamos isso, pois este é o costume comum do povo: amar somente quem está ao seu redor. Tal postura revela do amante não só a exclusão com os outros filhos de Deus, mas também uma índole egocêntrica, onde para esta pessoa só importa aquelas que o cercam. Mas com todo o seu zelo, o Bom Jesus mostra aquele povo que a grande valia no amor está em amar as pessoas mais difíceis e mais indignas de receber o nosso afeto e empatia. Se como dissemos agora a pouco, amar ao irmão é uma forma indireta de amarmos a Deus, também deduzir que odiar ao irmão é uma forma indireta de odiar a Deus. A impureza do ódio está justamente no momento que desvencilhamos com um irmão os laços de fraternidade. Fazer isso é negar Deus como Pai, pois se dizemos que Deus é o pai de todos os homens e mulheres, negar alguém como irmão é negar Deus como Pai, é se afastar do caminho da perfeição. "Mas Lavezzo, isto não é tão fácil assim... Muitos são os problemas que impedem o afloramento deste amor." A este preceito evangélico, há uma outra passagem de Mateus neste mesmo capítulo que vemos, alguns versículos antes, especificamente entre o 20 e 26, onde em seu sermão, Jesus nos fala sobre a reconciliação. O Senhor sobrepõe o amor fraternal ao próprio culto a Deus. Do que adianta você ir à missa todos os dias ou todos os domingos, cumprir o preceito como todo bom católico, mas dentro de você está cultivado um ódio mortal contra alguém que você conhece. OU PIOR: contra alguém que você desconhece, um ódio proveniente de intolerância, preconceito e opressão. De que te adianta? Eu te digo, meu irmão e minha irmã: NÃO VALE DE NADA! O culto a Deus é válido quando buscamos a pureza do nosso coração e a rejeição a qualquer tipo de hipocrisia. Dizer que ama a Deus e odiar seu irmão é uma baita mentira da pior espécie, uma hipocrisia sem igual e que custa a vida eterna daqueles que não querem enxergar o que a Igreja diz, inspirada pela luz do Espírito Santo. É por isso que o Senhor nos fala: "Portanto, quando tu estiveres levando a tua oferta para o altar, e ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa a tua oferta ali diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão". (Mt 5,23-24)
Já encaminhando para o fim desta fala, faço um questionamento a todos vocês aqui presentes: podemos ser perfeitos? A resposta é não, nós podemos ser perfeitos. A perfeição exige de nós um estado de graça permanente que se compreende somente na santíssima trindade. Apenas o Deus uno e trino é digno da perfeição. Mas então por que Jesus nos manda ser perfeitos como o nosso Pai celeste é perfeito? E este é o grande barato de nossas vidas. Buscar a perfeição mesmo sabendo que nunca iremos alcançá-la. Contudo, isto não significa também que vivemos uma vida vã. Buscar a perfeição é buscar a santificação pessoal, permitir que Deus possa te elevar à glória dos altares e nos gloriarmos de sermos santos em teu reino de todo o amor. E é isso que Jesus quer nos dizer com esta passagem de hoje: SEDE SANTOS, PELA FORÇA DO AMOR DE DEUS!

