Amados irmãos e amadas irmãs, minhas singelas saudações a todos vós. De modo especial, saúdo ao nosso arcebispo e pastor, Dom Raul Alberti Cardeal Damasceno, meu tio, que no último dia 25, pela graça de Deus completou seu sexto mês de pastoreio sobre esta terra e este povo paulistano. Uma data que é comemorada num momento muito oportuno, pois celebramos a história dos grandes pastores desta amada arquidiocese brasileira com o jubileu de 7 anos de sua fundação. E neste contexto, nossa comemoração deve ser algo expressivo. Aos que se fazem presentes na Igreja ao longo dos anos, sabem o quanto é difícil um arcebispado ser tão longevo como é este que temos a alegria de presenciar. Não apenas longo, como também de uma estabilidade vocacional, pastoral, administrativa, e principalmente fraternal, que enchem os olhos da Igreja de alegria, por este exemplo de Igreja particular que São Paulo nos é. Falo isso com propriedade, meus irmãos e irmãs, visto os anos de serviço que prestei a esta terra como presbítero, bispo auxiliar e, posteriormente, como pastor titular desta cátedra paulista. A ti, meu tio e meu bispo, o reconhecimento pessoal e coletivo de todos nós pelos seus seis frutuosos meses a frente de São Paulo, neste histórico período. Se for da vontade de Deus, que por muitos meses e anos sejam prolongados este pastoreio, com o mesmo amor que hoje está elevado nesta terra.
Olhando para a liturgia de hoje agora, meus caros irmãos e irmãs, vemos na primeira leitura, retirada da profecia de Jeremias, vemos o instante em que o Pai entra em diálogo com o profeta, o impedindo que manipule aquele cinto de linho de diferentes maneiras. E ao final, após o desgaste total daquele cinto, o Pai afirma que daquele maneira se encontraria o orgulho e a soberba de seu povo prometido, pela sua perversidade em não seguir as ordens de Deus, de serem um povo de ideias próprias que preferiam adorar a falsos Deus ao invés do único Deus que é aquele que deu uma descendência a Abraão. Não só neste trecho da profecia de Jeremias, mas ao longo do antigo testamento, vemos a ingratidão de um povo que foi prometido o caminho da salvação dos homens. Tantas foram as promessas de Deus, as graças derramadas sobre aquele povo, uma eterna aliança que é firmada entre o Pai e Abraão, mas que mesmo assim, é quebrada por um povo que faz aquilo que o salmista anuncia: esquece o Deus que os gerou. Essa é a grande falha dos homens: esquecer a paternidade absoluta de Deus, tudo por causa de entrega a falsas promessas que o mundo oferece. A vivência em Terra exige uma vivência para Deus, para que não tenhamos que temer os riscos de não sermos salvos. Ao fazer esta metáfora com o cinto de linho, o que o Senhor nos mostra através do profeta é que, diante de Deus, todo o mal se apequena, torna-se cinzas, torna-se inútil. Sendo assim, nós enquanto filhos deste Deus que nos promete a salvação, temos que abdicar de todo esse mal, de toda a falsa promessa que nos desvirtua do caminho uno para a salvação que Deus quer dar a quem se faz seu filho e não se esquece dele.
Já no evangelho de hoje, narrado por Mateus, vemos a continuidade que temos visto nos últimos dias, especificamente neste capítulo 13 do livro do evangelista, onde vemos Jesus falar em parábolas sobre o Reino de Deus. Na primeira parábola, Jesus fala sobre um grão de mostarda, comparando a este o reino dos céus. E nesta parábola explica que este grão é o menor das sementes, mas ao crescer, torna-se o maior dentre todos os cultivos. Ao fazer esta comparação com a sementinha da mostarda, Jesus quer nos passar a imagem de que assim mesmo começa o reino na Terra. Um reino que é bem pequeno, manifesta-se entre poucos, e estes poucos sustentam-se de poucas coisas, na simplicidade, na humildade. não precisam de muito para ter grandiosidade. Mas com o tempo, este reino pequeno, tornar-se um reino grande, onde seres vão ali para estabelecer a sua morada. Nós devemos ser esses seres, estes pássaros que querem viver neste reino que se faz grande principalmente nos céus, sob a coroa de Nosso Senhor Jesus Cristo. Logo em seguida, Jesus ainda conta outra parábola, comparando o reino de Deus ao fermento incorporado na massa, que logo a faz crescê-la. Esta parábola é um pequeno paradoxo à parábola anterior. A parábola da mostarda falava de um reino para todos, onde todos estabeleciam morada pela sua grandiosidade salvífica. Já nesta parábola do fermento, nosso foco deve ser o que há dentro de nós. Estamos permitindo que este reino cresça dentro de nós? Estamos permitindo que o Cristo manifeste-se em nós pelo poder de seu Santo Espírito? A palavra de Deus, a fé que regamos e praticamos, a nossa esperança em chegar na vida eterna e, principalmente, o amor que temos por Deus e por seus filhos, nossos irmãos e irmãs, devem ser o fermento para nossas vidas, para nos fazer grandes de alma e dignos do céu.
Assim, meus amados irmãos e amadas irmãs, exorto a todos a importância de não sermos filhos rebeldes, filhos soberbos, filhos indignos do amor e das promessas de Cristo. Sejamos fiéis e alegres por sermos filhos de Deus, que celebram a alegria de servir ao Espírito da luz que salva, para que tenhamos a vida eterna no Reino que é abrigo de todos os que escolhem reconhecer a paternidade absoluta de Deus. Por fim, peçamos a graça de Deus para que nos envie pastores santos, pastores que se dedicam a plantar o grão de mostarda, a incorporar o o fermento do reino nos corações dos fiéis, ao modelo de nosso pastor, Dom Raul Damasceno. Que Deus o santifique e o fortaleça para que continue progredindo na guia de seu rebanho paulista.

