Amados irmãos e amadas irmãs, minhas singelas saudações a todos vós. De modo especial, saúdo ao Decano do Colégio de Cardeais, Dom Raul Gabriel, em nome de todos os cardeais presentes e os demais concelebrantes, e também saúdo o arcipreste desta Basílica, Dom Pedro Melchior, em nome de todo o povo de Deus presente.
Com a missa de hoje, colocamos o fim no tempo quaresmal da diocese de Roma, este período em que vivenciamos a preparação para contemplar a paixão de Cristo e sua gloriosa sobre a morte. E após esta preparação, nos reunimos em comunidade para celebrarmos a união da Igreja.
"O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu; enviou-me para dar a boa nova aos humildes, curar as feridas da alma, pregar a redenção para os cativos e a liberdade para os que estão presos." Este trecho que nos traz a profecia de Isaías, e que posteriormente Jesus lê ao povo na sinagoga no evangelho de hoje, se encontra a centralidade do sentido desta celebração. Irmãos e irmãs, o sacerdócio, não apenas o dos ministros ordenados, mas também o sacerdócio laical, é a nossa eleição enquanto cristãos. Por meio do exercício do nosso sacerdócio, o Espírito do Senhor Deus se encontra sobre nós e com ele temos o dever de sermos uma igreja que caminha e vai atrás dos que mais necessitam da palavra libertadora de Nosso Senhor Jesus Cristo. Esta missão que nos constitui ministros de Deus, desde o nosso nascimento até o momento de nossa passagem à vida eterna, é inteiramente dependente da unidade formada por meio da fraternidade entre todos nós, sacerdotes de Cristo. Sem comunhão mútua entre os sacerdotes, nos tornamos uma Igreja de rivalidades, dividida, que se preocupa mais em resolver rixas do que desempenhar o bom exercício do anúncio da boa nova de Nosso Senhor.
Não contida na liturgia da palavra de hoje, São Paulo em uma de suas cartas ao povo de Corinto, nos adverte que o corpo de Cristo, ou seja, a Igreja de Nosso Senhor, é um único corpo. Este corpo é indivisível e composto por muitas pedras que, unidas pela oração e serviço, constituem o corpo de Cristo na Terra. Pelo sacramento do batismo, todos nós somos eleitos a constituir este único corpo e conclamar como São João Evangelista: "A Jesus, que nos ama, que por seu sangue nos libertou dos nossos pecados e que fez de nós um reino, sacerdotes para seu Deus e Pai, a ele a glória e o poder, em eternidade."
Não tão somente isso, mas esta missão que levamos em unidade enquanto igreja fraterna, nos impõe o dever da servidão. A Igreja tem que ser serva de seus fiéis, porque Jesus também foi servo daqueles que os ouviram. Enquanto sacerdotes, ministros ordenados ou leigos, volto a dizer, não estamos acima de ninguém. Não importa o colegiado que estamos incluídos. Se tu és bispo, presbítero, diácono ou leigo... Isso pouco importa para missão da servidão. Todos somos servos de igual modo, pois o Senhor nos ama de igual modo e rogou em suas palavras para que não nos elevemos acima de outrem, mas que vivamos em harmonia emanada pelo amor que vem de Deus.
Portanto, queridos irmãos e queridas irmãs, a fim de encerrar, voltemos nossos olhares ao que diz o Senhor em relação à profecia de Isaías na primeira leitura: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”. Peçamos a graça de Deus para que esta profecia se cumpra todos os dias, com o nascimento de cristãos eleitos e vocacionados ao anúncio da boa nova de Nosso Senhor Jesus Cristo, a fim de libertar e iluminar os filhos de Deus e seus caminhos conturbados nesta estrada da vida, sempre em unidade e plena comunhão com a Santa Mãe Igreja.

