Amados irmãos e amadas irmãs, minhas singelas saudações a todos vós. De modo especial, saúdo Dom Carlo Ventresca, Camerlengo da Câmara apostólica e arcipreste desta Basílica, em nome de todo o povo de Deus presente, e de igual modo saúdo Dom Raul Gabriel, Decano do Sacro Colégio de Cardeais, em nome de todos os irmãos sacerdotes que concelebraram esta missa.
Hoje é o dia que nos deparamos com um tempo de preparação encerrado, meus irmãos e minhas irmãs. Adentramos o tríduo pascal, onde juntos contemplaremos os últimos atos de Nosso Senhor antes de entregar-se à vivência de sua paixão e posteriormente a sua vitória contra a morte e ressurreição. Nesta celebração, recordamos o dia em que o Senhor se fez pão, fez do vinho no cálice o seu sangue e instituiu para nós a sagrada eucaristia, esta que celebramos diariamente e que nos faz manter Cristo presente todos os dias no meio de nós e na centralidade de nossas vidas, como o santíssimo sacramento que comunicamos, além de instituir também os ministros ordenados a conduzir este sacrifício diário, que é a consagração do pão e do vinho.
Na primeira leitura de hoje, vemos um ordenamento do Senhor a Moisés e a Aarão. De primeira vista, é difícil compreender o sentido daquilo que Deus pedia a Moisés e Aarão. Todavia, tratava-se de como o Senhor ordenava que os judeus celebrasse a Páscoa judaica, recordando o dia em que foram libertados das mãos dos faraós do Egito. E aí se encontra o grande ponto dessa leitura. O Senhor manda que imolem um cordeiro, coloquem seu sangue na porta e, ao passar a praga pelo Egito, aqueles que tiverem o sangue na porta estarão imunes à praga. Agora, o entendimento disto fica mais fácil... O que o Senhor nos faz é um pré-anúncio do que seria a Páscoa dos Cristãos. O mesmo sangue que liberta os judeus da praga, na primeira leitura, é o sangue que nos liberta nos dias de hoje, quando contemplamos o sacrifício na missa, é o mesmo sangue que jorra de Jesus no dia da sua paixão, e que liberta aqueles que nele condicionam a sua vida.
No Evangelho de hoje, vemos a efetivação daquilo que a primeira leitura nos precedeu. Cristo sabia de seu destino, e a instituição da eucaristia e do sacerdócio foi um "selar de portas". Pois naquele momento que Jesus eleva o pão, naquele momento que Jesus eleva o cálice, pronunciando as palavras consacratórias, ele decreta que a sua passagem ao reino não extingue a sua presença no meio terreno, pois ele ainda estaria no meio de nós, em sua forma eucarística, para que dele nos alimentemos e purifiquemos o interior, a fim de que possamos estar cada vez mais próximos da sua perfeição. Meus irmãos e minhas irmãs, Jesus faz isso por uma única e plausível justificativa: ele nos ama. Jesus nos ama a um nível que nunca compreenderemos, e por isso se mantém eternamente no meio de nós, no santíssimo sacramento do altar. Quando nos alimentamos deste cordeiro imolado, que outrora servira para alimentar os judeus da primeira leitura, a fome pelo pecado se sana, e a única fome que passamos a ter a de sermos santos, pois permitimos que o Espírito Santo habite dentro de nós.
Somado a isto, meus irmãos e minhas irmãs, este não foi o único sinal de seu amor que Jesus nos deixou. Ele também nos mostra que a caridade fraterna é a forma que temos de alcançarmos esta eterna aliança que Jesus nos fala. Uma aliança que se firma entre os homens e mulheres para com Deus. Deus como nosso Pai e nós como seus filhos. Para que mantenhamos esta aliança, não devemos negar ao irmão, e por isso a caridade fraterna se faz necessária. Jesus se ajoelha diante de seus apóstolos para lavar-lhes os pés, para que estes apóstolos, agora ministros ordenados, façam o mesmo. E qual é o sentido desta ação de Jesus? É que antes de Jesus ser rei, ele é servo. Nós somos servos de Jesus, mas antes disso ele se faz o nosso servo, por puro amor. Por isso, meus irmãos e minhas irmãs, devemos levar nossa posição, enquanto cristãos, banhados de humildade, de serviço pelo irmão. Este serviço comove, facilita que penetremos o coração das pessoas com o que o Senhor quer falar a elas.
Portanto, meus queridos irmãos e queridas irmãs, enquanto pedras integrantes deste único corpo que é a Igreja de Cristo, ouçamos o apelo do Senhor: busquemos a purificação de nossas almas e alimentemos a nossa vontade pela santidade, comungando do Jesus que é vivo e permanecerá vivo na eucaristia, não guardando apenas este milagre para nós, mas levando aos que necessitam também destas oblatas da salvação, sempre com a fraternidade que o Senhor nos mandou e ensinou a praticar.

