Homilia Papa Paulo IV - Domingo de Ramos

Caríssimos irmãos e caríssimas irmãs, minhas singelas saudações a todos vós. De modo especial, saúdo a Dom Daniel Stramantino, pároco desta Basílica, que nos acolhe para iniciarmos a Semana Santa, que é a sequência de dias mais importante de nossa fé e que nos faz valorar o quanto Deus se faz por nós.

A liturgia do Domingo de Ramos da Paixão do Senhor nos ajuda a entender o quão supérfluas são as relações humanas, o quão volátil é o sentimento que temos por aqueles que mais fazem por nós, pela humanidade em geral.

Nesta última semana quaresmal que vivemos, vale recordar e contextualizar uma passagem evangélica que foi dita com a liturgia que interiorizamos hoje: diante dos mestres da lei, Jesus os questiona sobre o porquê de quererem apedrejá-lo, visto todas as boas obras que fez por onde passou. E agora neste domingo, vemos um Cristo que no primeiro evangelho é recebido e enaltecido como um Rei. Um rei dos phobres,  dos mais aflitos, dos que estão abaixo da linha hierárquica social, que não precisa de grandes regalias, estradas de ouro para ser elevado. Apenas um simples jumentinho EMPRESTADO e alguns raminhos de oliveira eram o suficiente para receber o filho do Homem. E aquela mesma multidão, de grandes e pequeninos homens, que outrora se uniram para receber o filho de Deus, é a multidão que clama diante de Pilatos: "SEJA CRUCIFICADO!".

É uma liturgia completamente contraditória, mas que nos permite compreender a profecia que Simeão fez, lá no início da vida de Jesus, na apresentação no templo, quando o profeta diz a Maria que aquele menino seria fruto da contradição. Contradição esta que se resume em poucas palavras: "Deus veio para dar o amor e receber o ódio". E isto, meus irmãos e minhas irmãs, mostra-nos que Jesus é um Rei que veio para servir, e não para ser servido. Isto se torna fácil o entendimento quando vemos um Senhor que dá o seu amor primeiro, antes mesmo que espere ser amado. Um Senhor que se entrega aos sacerdotes da época, carregando os pecados de todos nós. Por isso nos digo, quando olhares para uma imagem do Cristo crucificado novamente, tenham em vossas mentes que naquela cruz carrega todo o pecado do mundo. Carregou o pecado de seus filhos ingratos. Como nos diz o apóstolo Paulo na segunda leitura, Jesus esvaziou-se por completo, para que assim pudesse carregar o pecado da humanidade, que o humilhou, o flagelou, cuspiu em sua cara e o crucificou. Sentiu a dor do abandono somado a dor da carne, pois até no momento de questionar a Deus sobre o abandono, Jesus salmodiou dizendo: "MEU DEUS, MEU DEUS... POR QUE ME ABANDONASTE?".

Portanto, queridos irmãos e queridas irmãs, que por estas contradições tão bem interligadas por toda a história de vida de Nosso Senhor Jesus Cristo, peçamos a graça da inspiração do Espírito Santo para buscarmos uma relação cada vez mais verdadeira com os nossos irmãos, sustentando-a principalmente pelo amor, o mesmo amor que Jesus tem por nós e comprovou ter, mesmo com toda a nossa ingratidão. Saibamos servir e amar, sem a pretensão de ter algo em troca, sem valorarmos o nosso ego. Busquemos enaltecer aqueles que são os nossos verdadeiros heróis, sendo estes os que se desgastam e não negariam dar a própria vida por cada um de nós...