Amados irmãos e amadas irmãs, minhas singelas saudações a todos vós. De modo especial, saúdo nosso amigo e pároco, o Padre Gilmar Costa, que sempre nos acolhe para juntos celebrarmos o mistério do sacrifício e ressurreição do Senhor, aqui na casa do Pai.
A liturgia de hoje nos permite dois pontos importantes a serem observados neste domingo. Olhemos primeiro ao que nos diz a primeira e a segunda leitura. Em ambas, temos um destaque especial recluso a Pedro, um Pedro corajoso, que professa a sua fé e dá seu testemunho com veemência, convicção e força naquilo que fala. Antes da paixão do Senhor, durante toda a formação catequética que passaram os apóstolos durante toda a preparação ministerial, Pedro sempre demonstrou ser árduo naquilo que falava, ao demonstrar sua fidelidade ao Mestre, porém no início, esta configuração de Pedro era frágil, digamos assim. Pouco antes da paixão, Pedro trai a Jesus. E após ser acalentado pelo colo de Maria, testemunhar a ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, vemos um Pedro que muda completamente. Um Pedro que antes era covarde, que preocupava-se mais com sua vida terrena do que com a vida no Reino de Deus, torna-se um Pedro de fé incorruptível, corajoso, que com seus escritos e atos, edifica a Igreja de Cristo e perpetua sua memória, confirmando-nos na fé.
Tomando posse das palavras do Papa Francisco, o cristianismo não deve ser considerado como um modo de vida, uma cultura, uma doutrina. Bem, o cristianismo é sim tudo isso. Mas isso é uma ramificação de algo que é muito maior. Não adianta sermos os mais intelectuais sobre o cristianismo, se não buscarmos o encontro com o Senhor. Ser cristão é isso: buscar o encontro com Jesus. Olhando agora o evangelho de hoje, vemos novamente a passagem dos discípulos de Emaús. Jesus, singelamente e com muito calma, aproxima-se daqueles discípulos, que estavam perplexos com sua crucificação. Sem se apressar, ensina-os, catequiza-os, caminha ao lado deles. Deixa que eles se revelem como cristãos, para que depois ele possa se revelar como o Cristo ressuscitado. Jesus espera o nosso tempo para que possa promover o encontro conosco. Durante nossa vida, nossa vivência, analisando nossos atos e nossos pensamentos, o que devemos fazer é viver para buscar este encontro com Jesus. Assim como Pedro encontrou Jesus e mudou completamente seu modo de ser. Como os discípulos, que antes cegos, agora viam o brilho do ressuscitado, hoje somos obrigados a também buscar este encontro. Um encontro diário que fazemos pelo exercício da fé, ao rezarmos e ao trabalharmos em comunidade com nossos irmãos e nossas irmãs. Isso é buscar o encontro, porque ser fraterno, se relacionar como irmãos, também é se relacionar com Deus, pois todos somos filhos e desfrutamos de um só amor.
Amados irmãos e amadas irmãs, peçamos a graça do discernimento de buscarmos Jesus todos os dias. Aproveito também a oportunidade, para que no exercício da oração, rezem pelos nossos cardeais, que amanhã a noite, entram em clausura, um momento de forte meditação e reclusão, antes da eleição de um novo Papa. Peçamos a Deus um Papa como Pedro. Este Pedro que vimos nas leituras de hoje. Que deixa de ser um covarde e passa a ser corajoso, pela fé. Um Pedro que dá seu testemunho, com o intuito de buscar sua vida eterna e apascentar o rebanho do Senhor.

