Amados irmãos e amadas irmãs, minhas singelas saudações a todos vós. De modo especial, saúdo ao Decano do Colégio de Cardeais, Dom Pablo Maxi, e o Arcebispo Metropolitano de Olinda e Recife, Dom Erlei Forgione, estes que receberão o pálio pastoral hoje, como símbolo de suas jurisdições e comunhão com esta Sé Apostólica.
Hoje a liturgia da palavra nos fala muito a cerca de confiarmos em Nosso Senhor, já que podemos ver esta advertência em todas as leituras ouvidas.
Na primeira leitura, um trecho da profecia de Jeremias, temos a ponderação feita pelo Senhor, utilizando-se das palavras do profeta. De forma clara, a leitura nos expressa a vontade do Senhor de que não nos tornemos rebeldes da palavra. O ser humano tem o costume de tomar para si uma razão própria e modo de viver que julga como certa, e que ninguém pode contrariar. É um dos dramas da mundanidade que vivemos. Tomamos como verdade pensamentos nossos, pensamentos de outras pessoas, e nos esquecemos das leis de Deus, pois para nós é mais conveniente vivermos em Terra com os pensamentos da Terra, e depois da vida em Terra, "acertamos nossas contas com Deus", como já tive o desprazer de ouvir alguns falarem. Irmãos e irmãs, vejamos o que o Senhor nos diz no fim da profecia de Jeremias: "Eu, porém, que sou o Senhor, sondo os corações e escruto os rins, a fim de recompensar a cada um segundo o seu comportamento e os frutos de suas ações". Deus nos julga pelos nossos atos em Terra, pois é em vida que purificamos nossas almas e expurgamos o pecado. Para que vivemos segundo às vontades do Pai, precisamos confiar nele, entregar nossas vidas a Ele, pois como diz o salmista: "É feliz quem a Deus se confia!"
E pelas palavras do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, narrado por São Lucas, vemos o Senhor contar uma parábola aos fariseus, onde figuravam dois personagens principais: um homem rico, bem vestido, com muitas regalias, e um homem phobre, que é Lázaro, um mendigo que brigava xom bichos pelas migalhas deixadas pelo homem rico. Irmãos e irmãs, nesta parábola, vemos uma realidade que não nos difere dos dias atuais. Vivemos em um século onde a realidade é como a desta parábola, em que consiste a existência de dois polos sociais, sendo um deles os que desfrutam das riquezas do mundo e aqueles que vivem para passar necessidades, a opressão, encontrando-se em situação de hipossuficiência. Após a morte de ambos, vemos aquele que sofreu em vida mundana, ganhar a vida eterna. E vemos o outro que só se importou em praticar seus prazeres, sofrer com a morte eterna. O homem rico, enquanto esteve em vida, tinha dinheiro o suficiente para si, para Lázaro e para muitos outros mendigos, porém guardou tudo para uso próprio, não teve compaixão com o seu próximo, e, como diria o Papa Francisco, caiu no abismo da indiferença. Infelizmente, torno a dizer que a realidade desta parábola não foge da nossa realidade. Numa era globalizada, onde a informação corre com facilidade e todos sempre sabem de tudo, fazer o bem deveria ser algo mais simples de ser feito. Todavia, o que vemos é o contrário. Nesta era, as pessoas são cada vez mais individualistas. Sabem que os outros precisam, mas não se importam em prestar auxílio, preferem ser indiferentes. Esta indiferença, irmãos e irmãs, nos afasta de Deus, pois recusamos o irmão. Quem recusa ao irmão por indiferença, cai no abismo, vive os desprazeres da morte eterna.
Neste tempo quaresmal, somos chamados a vivermos intensamente a fraternidade. O hino da campanha da fraternidade 2020 nos traz o exemplo do bom samaritano: aquele que vê, compadece-se e cuida. Portanto, queridos irmãos e queridas irmãs, exorto a todos a importância de seguirmos o exemplo do bom samaritano. Não sejamos indiferentes. Façamos com que a informação do sofrimento alheio não se recluse apenas às nossas mentes, mas que desça ao nosso coração, para que sejamos inspirados a agir em prol daqueles que precisam de nós, soldados de Cristo no anúncio do Evangelho e na prática da caridade.
ASSIM SEJA! Amém.

