Homilia Papa Paulo IV - Celebração Penitencial

Amados irmãos e amadas irmãs, minhas saudações a todos vós. De modo especial, saúdo o administrador desta basílica mariana, Dom Raul Gabriel, que nos acolhe para esta celebração penitencial, que realizamos com o intuito de viver ao extremo a quaresma, rogando a misericórdia de Deus, mostrando a nossa nossa redenção diante da glória do Senhor.

O salmista nos faz uma pergunta hoje: "O Senhor é minha luz, Ele é minha salvação, que poderei temer?" Nada, caríssimos. Aquele que toma o Senhor como sua fonte de luz que ilumina sua fronte e mostra o caminho da salvação, não há o que temer, pois para este o reino de Deus se faz morada e a misericórdia de Deus é garantida. E na leitura de hoje, trecho retirado do livro de João, vemos o apóstolo retratar como se dá a justiça do Pai e como surge esta misericórdia. A palavra misericórdia tem o sentido de preparar o coração para a acolhida dos miseráveis. Somos todos miseráveis e o Senhor prepara seu sagrado coração para nos acolher. São João nos mostra que este é o tempo de pararmos de tentar enganar a nós mesmos, pois isso só tende a nos prejudicar. Não buscamos apenas o perdão, mas o discernimento para admitirmos para nós mesmos que somos falhos, pecadores, atentamos contra Deus, mas também reconhecemos a sua majestade e imploramos pelo vosso perdão.

E na conclusão da liturgia da palavra, temos o Evangelho lucano de Nosso Senhor Jesus Cristo, onde nos é contada a famosa parábola do filho pródigo. Este filho, o mais novo, cresceu em boa família, dormiu em bons estofados por toda a sua vida, teve tudo do bom e do melhor, sem que ao menos fizesse um esforço. Como resultado, tornou-se um filho mimado, materialista e com interesse nos bens que pertenciam ao seu Pai. Corrompeu sua alma, suicidou-se no espírito por prazeres mundanos. Mas, como diz o famoso ditado popular, só notamos a falta do que era bom quando perdemos tudo. Este filho arrependeu-se de coração e muito o seu Pai se alegrou, a ponto de fazer festejos e acolher seu filho de volta. Queridos irmãos e queridas irmãs, adequemos esta realidade evangélica à nossa realidade atual... Todos aqui somos chamados a sermos como este filho pródigos. Sempre há tempo de repensarmos os nossos atos, suprirmos as nossas faltas e nos formar homens e mulheres mais dignos das bençãos de Deus, clamando: "Pai, pequei contra o céu e contra ti!" E Ele, assim como o pai que acolhe seu filho de alma renascida, nos acalentará em seu seio de amor e misericórdia por nós. Nesta parábola, ainda, vemos a postura do irmão mais velho, que sempre foi obediente ao pao e não recebeu o mesmo tratamento que o filho pródigo recebeu. Como já nos disse o Evangelho de Mateus, o Senhor faz nascer o Sol sobre os bons e os maus e sempre há tempo para um recomeço, segundo a profecia de Ezequiel. A justiça do Pai se faz pelo modo que vivemos, não pelo modo que vivíamos.

Portanto, queridos irmãos e queridas irmãs, exorto a todos a importância do recomeço, do repensar e da redenção, pois sempre há tempo de nos convertermos em filhos de Deus e proclamadores de sua palavra.

Louvado seja o Nosso Senhor Jesus Cristo!