Homilia Papa Paulo IV - Sagração episcopal do Mons. Caio Medeiros

Amados irmãos e amadas irmãs, minhas singelas saudações a todos vós. De modo especial, saúdo ao bispo eleito, Dom Caio Medeiros, que por mercê de Deus, foi escolhido para o exercício da missão apostólica deixada por Nosso Senhor Jesus Cristo aos seus amigos mais próximos, para o anúncio de sua boa nova, salva e santifica. Para nós, irmãos e irmãs, este é momento de grande júbilo, pois um novo pastor e sucessor apostólico é instituído, para o bem das almas que se apartam do rebanho do Bom Pastor.

A Liturgia própria da celebração de hoje nos remete justamente à temática do Bom Pastor, que é Jesus. Na primeira leitura, extraída do Livro de Miquéias, vemos a transfiguração de Jesus naqueles que nascem para conduzir o rebanho do Senhor com o seu cajado. A visão que devemos ter de um bispo é justamente essa: o bispo nos faz seguir os mandamentos de Jesus, e por isso devemos enxergar Jesus presente no interior de um bispo, temendo-o, não por medo, mas por amor à sua misericórdia de Deus, que transborda quando nos submetemos à sua grandeza. Por isso, aquele que carrega o cajado, ou trazendo para a nossa realidade, carrega o báculo, deve ser dotado de sapiência, a fim de que a força do espírito faça ecoar no coração das ovelhas o dom do Espírito Santo de Deus.

Na segunda leitura, vemos os ensinamentos, um manual, podemos dizer assim, de Pedro aqueles que também almejam ser pastores de vidas. São Pedro, por excelência, concentra a maior herança do dom do pastoreio, pois teve a sua sucessão estabelecida pelo próprio Cristo Jesus, que o ordenou que construísse o seu corpo, em forma de Igreja. E com muita prudência, Pedro nos mostra que o bispo não trabalha por obrigação, mas trabalha por amor. O bispo não deve ser um desertor, mas um santo, para que seu rebanho tenha um modelo a seguir. Isto porque este rebanho, que tanto falamos, é confiado aos dizeres e posturas de um bispo. Se o bispo não é um exemplo, o rebanho seguirá este modo de agir, e assim, a essência apostólica se desfaz e as almas se perdem. Outro ponto fundamental desta leitura, é a mansidão de um pastor. Não é porque o pastor tem o controle do rebanho, que deve ser para este um ditador, autoritário, rude e severo. O pastor deve ser manso, visto que por meio desta mansidão, o rebanho se sente acolhido, amado e disposto para ouvir o que a palavra de Deus tem a dizer.

E na conclusão da liturgia da palavra, vemos o Evangelho de Nosso Senhor pela narração de São João, onde Jesus dirige-se ao seu rebanho como o Bom Pastor. E ao afirmar isto por duas vezes, nos revela duas vertentes de sua missão: Jesus vem a nós para expor a sua vida, com o intuito ds salvar as nossas. E além disso, também diz que nós, o seu amado rebanho, os conhecemos e Ele nos conhece, igualando sua relação com Deus Pai. Quando Jesus diz que expõe sua vida pelo seu rebanho, nos fala sobre o martírio. Este também é uma forma de conversão. Quando o pastor é martirizado, seja pelo derramamento de sangue ou pela ridicularização desta era contemporânea, o pastor acaba por se salvar e também salvar aquelas ovelhas, que passam a honrar a sua memória. Então, por que ter medo deste martírio, se sabemos que após a morte temos uma vida eterna para viver no Reino de Deus? A entrega pela missão deve ser intensa e sem temores, porque Deus se faz conosco nos momentos adversos e que necessitamos de sua intercessão. E, quando afirma ser conhecedor de nós, e nós conhecedores dele, confirma a sua onisciência dos fatos, e que podemos ter pleno conhecimento da salvação, isto se nos dispomos a ler e seguir os seus ensinamentos descritos em sua boa nova.

Tu, amado irmão Caio Medeiros, nesta nova estrada deve desviar da carapuça do mercenário. O mercenário é corrompido. Ele faz com que as ovelhas se apartem, busquem horizontes distantes daquele que leva ao Reino de Deus. Veja quantos reinaram na Igreja de Cristo e, ao invés de se espelharem no Bom Pastor, preferiram ser como mercenários. Vendendo cargos, trocando fotografias obscenas por interesses meramente mundanos. Isto é ser o mercenário, é dispersar. Busque ser como o Bom Pastor, irmão Caio. Não se contente apenas com as ovelhas que já cuida, mas também corra atrás daquelas que foram corrompidas pelos mercenários. Quem necessita de médicos são os doentes, pois os sadios já possuem a vida. Não se deixe corromper pelo carreirismo nem se acomode em seu serviço apostólico, pois se assim o fizer, também estará se transformando em mau pastor e mercenário. Ensina o teu rebanho que a missão habbiana vai além de celebrar, mas também consiste em ir atrás dos que perecem. Quantos não usam o habbo como uma forma de escapar de sua realidade? Muitas vezes, renunciando até à Igreja na vida real. Quantos não usam o habbo para refugiar-se, muitas vezes porque sofre com uma depressão ou com uma angústia que corrói? Ide atrás dessas e seja um bispo missionário, não mercenário, pois o Senhor confiou a ti o teu rebanho, velai as ovelhas do Senhor, torne-as santas e se torne santa também.

Por fim, queridos irmãos e queridas irmãs, exorto a todos a importância desse tempo que acabamos de iniciar. Que a sagração de um novo sucessor dos apóstolos seja o impulso que precisamos para intensificarmos os laços de fraternidade e unidade da Igreja, a fim de que trabalhemos juntos na missão da evangelização virtual, sempre com os corações caridosos e receptivos para o amor de Deus e de seu povo.

ASSIM SEJA! Amém.