Amados irmãos e amadas irmãs, minhas singelas saudações a todos vós. Hoje, nesta noite de sexta-feira, venha a vós neste oratório para dar um pouco de minha palavra amiga aos que aqui estão, sobre um tema delicado, que é o da depressão, está doença que assola a humanidade com tanta força no século XXI. Antes, aproveito para cumprimentar de modo especial o cônego Weverton e o Padre José Maria, que tão bem desenvolvem esta comissão catequética na Arquidiocese de São Paulo.
A depressão, doença tão falada, mas pouco compreendida, exige um olhar analítico de todos nós, meus irmãos e minhas irmãs. Nós, com toda esta celeridade da era contemporânea, onde pouco olhamos para os lados, mas olhamos mais para as nossas obrigações. E neste contexto social, por muitas vezes não aguentamos a pressão, principalmente quando fracassos e perdas de somam a ela. E nisso, nasce um foco para o dano mental que é o surgimento da depressão. Nossos pensamentos se tornam uma grande bola de neve, que com o decorrer dos acontecimentos só cresce é cresce e cresce, até que num determinado momento, chega ao ápice do desenvolvimento, e esta bola de neve se torna uma avalanche em nossas vidas. Digo isto com a propriedade de quem já sofreu com a depressão. Você simplesmente fica cego. Para nosso interior, as pessoas nos abandonaram e, em casos mais graves, chegam a pensar que o próprio Cristo nos abandonou. E qualquer fato, por menor que seja, como por exemplo, uma pessoa que passa e não dá um bom dia, já se torna razão para uma aura cada mais melancólica e que nos estimula a desistir da vivência em comunidade e nos entregar a uma morte prematura.
A essas pessoas, o que resta é a busca desesperada por um refúgio. E quando não conseguem este refúgio, pensamentos absurdos surgem na cabeça: como o suicídio. Queridos irmãos e queridas irmãs, nós enquanto católicos somos chamados a sermos este refúgio que os que sofrem pela depressão necessitam. Mas, para que possamos ser esse refúgio, precisamos de duas qualificações: a prudência e a mansidão. A prudência porque devemos ser sábios que falamos e naquilo que fazemos. E a mansidão porque esta exige cautela, cuidado e sutileza para trabalharmos. Quando somos mansos, podemos fazer com que os portadores da depressão nos como agentes de paz, agentes de Cristo, que estão ali para acolhê-los e fazê-los buscar a Nosso Senhor.
Devemos fazer isso porque o Senhor a quem adoramos em seu templo, diante do altar, é de onde emana todo o amor, este que cura todas as enfermidades. Portanto, amados irmãos e amadas irmãs, qualquer um que esteja aqui, que esteja passando por esse momento difícil, onde tudo parece dar errado, ou conhece alguém que passa por esses percalços, não permitais desanimar-se. O Deus que olha para mim, olha para você também. E esta que corrói, impede que enxerguemos este amor do olhar de Deus. A vós que não sofrem deste problemas, ide atrás dos que sofrem, pois eles necessitam de vós como refúgio e acalento, para conhecer o que Jesus tem a lhes dizer. Neste tempo quaresmal, isso se faz cada vez mais necessário. A quaresma não é apenas a penitência, mas também é a fraternidade e caridade.
Que saibamos por em prática esta essência que nos revigora e nos faz mais cristão, e que também nos prepara para a Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Louvado seja o Nosso Senhor Jesus Cristo!

