Homilia Dom Raul Damasceno - Missa da Unidade Redentorista

 Estimados confrades que aqui nesta Basílica se reúnem, 

Caríssimo Senhor prefeito do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada, Sociedades de Vida Apostólica e nosso irmão oblato redentorista, Joseph Ravassi, 

Queridos irmãos e irmãs, 

Em nossa Liturgia da Palavra, a Igreja oferece-nos na primeira leitura, o episódio de Paulo e Silas na prisão. Estes discípulos, servos fiéis de Cristo, foram injustamente acusados e lançados na prisão. Suas vestes rasgadas simbolizam a humilhação e o sofrimento que enfrentaram. E tal como eles, quantas vezes também nos sentimos injustiçados? Quantas vezes nossas vestes emocionais são rasgadas pelas circunstâncias da vida?

Em vez de se entregarem ao desespero, Paulo e Silas escolheram a oração e o louvor. À meia-noite, na escuridão da prisão, eles cantaram hinos a Deus. Essa atitude nos ensina que, mesmo nas situações mais difíceis, podemos encontrar força na comunhão com Deus. A oração e o louvor não são apenas palavras; são chaves que abrem portas.

De repente, um terremoto sacudiu as fundações da prisão. As portas se abriram, e as correntes se soltaram. Esse terremoto não foi apenas físico; foi um sinal do poder divino que liberta os cativos. Assim como Paulo e Silas, podemos experimentar a libertação de nossas próprias correntes: correntes de medo, culpa, vícios e desespero.

Já no nosso evangelho, convido que imaginem os discípulos naquele momento: Jesus, o Mestre amado, lhes diz: “Agora, parto para aquele que me enviou.” Os corações deles se enchem de tristeza. Eles não entendem completamente o que está acontecendo. A partida de Jesus parece uma separação dolorosa. Quantas vezes também nos sentimos assim? Quando alguém querido parte, quando enfrentamos mudanças, quando o que conhecemos é transformado, sentimos a tristeza da despedida.
Mas Jesus não os deixa órfãos. Ele diz: “Se eu não for, não virá até vós o Defensor; mas, se eu me for, eu vo-lo mandarei.” O Espírito Santo, o Defensor, será enviado. Ele é o Consolador, o Advogado, aquele que nos sustenta nas horas difíceis. E aqui encontramos a conexão com a missão dos Redentoristas.

Nós, Redentoristas, meus irmãos e irmãs, somo chamados a sermos defensores da fé. Partindo para os lugares mais difíceis, onde a tristeza e a desesperança prevalecem. Não se deve perguntar: “Para onde vamos?”, mas seguir o chamado de Deus, onde sopra o doce e suave Espírito Santo. Vamos onde outros não vão.

Neste momento, que possamos ter compromisso com a fé, com a justiça e com a esperança, seguindo o exemplo de Jesus. Que o Espírito Santo nos guie e nos fortaleça caminho. E que, mesmo nas despedidas, possamos encontrar a promessa da presença divina. Amém.