Homilia Dom Vito Lavezzo - Abertura Visita ad limina

Excelentíssimos irmãos Bispos,
caríssimos irmãos e irmãs que se reúnem hoje na Sé Romana.

“Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama." Assim somos introduzidos por Jesus no evangelho de hoje, em que o Senhor nos ensina o dom da obediência. Neste dia em que celebramos Santa Catarina de Sena, mulher digna que tanto amou a Igreja e se submeteu aos mandamentos revelados por Jesus e seu templo, nada mais simbólico que refletirmos sobre um evangelho que nos ensina que a obediência, sobretudo, configura um ato de amor a Deus.

Jesus nos ensina que o espírito de Deus faz morada naqueles que guardam a sua palavra. E aqui, importante dizer, que guardar deve ser interpretado no sentido de praticar a palavra de Jesus, jamais guardá-la apenas para si. Pois a Igreja, em seu papel natural, tem como finalidade de existência praticar a palavra de Deus e levá-la aos outros, para que também a pratiquem. Desta forma, aqueles que acolhem esta palavra, tornam-se obedientes e tementes ao Pai e podem ser moradia para seu espírito.

Acolher os mandamentos de Cristo e observá-los, no entanto, não consiste apenas em um ato de prática, mas também, na grande maioria das vezes, consiste num ato de renúncia. Abrir mão daquilo que não leva ao céu. E o que o Senhor ensina nesta passagem é que desobediência é a falta desta renúncia. Entre renunciar à palavra de Deus e renunciar ao que não leva ao céu, muitos escolhem pela primeira opção, por parecer mais agradável.

Hoje, a reflexão que vos trago, e aqui me dirijo em especial aos bispos por ocasião da abertura de nossa visita ad limina: estamos sendo obedientes à Igreja em nossa obrigação de servirmos à sua edificação?

Em memória de Santa Catarina de Sena, comento um breve episódio de sua vida, mas tão importante para o momento em que vivemos atualmente. No auge do século XIV, a Igreja de Cristo viveu o trauma do grande cisma e se dividiu. O Corpo Uno da Igreja já não era mais Uno. Tanta foi a dor de Santa Catarina ao ver uma Igreja que perecia, que se recusou a ficar sentada e observar. Viajou pela Itália inteira e também por outros países, falando, pregando, ditando cartas aos reis, aos príncipes e aos governantes católicos. Também ditou cartas aos cardeais e aos bispos. Por fim, ela conseguiu que Urbano VI, o verdadeiro papa, voltasse para Roma e assumisse o legítimo governo da Igreja.

Quantos de nós veem a Igreja passar por necessidade e se preocupam em buscar supri-las? Estamos certos em estar sentados e esperar que outros façam as mudanças acontecerem? É este comodismo e quietude que nos levará aos céus ou, porque não, à glória dos altares?

Que inspirados por Santa Catarina e pela palavra meditada hoje, sejamos encorajados a ser Bispos que tomam a iniciativa, pastores que se incomodam e lutam para mudar quando enxergam a obra de Cristo perecer.