Eminentíssimos irmãos cardeais, os quais saúdo na pessoa do Cardeal Decano, Dom Jorge Snaif Médici. De igual modo, saúdo com estima todos os demais presentes nesta nossa celebração eucarística, em que damos início à clausura do Colégio Cardinalício, momento este em que todos nós, incumbidos da missão de ouvir o desígnio do Espírito Santo sobre o novo Romano Pontífice, reunimo-nos na casa Santa Marta, para nos isolar destes eventos mundanos e concentrarmos nossas intenções na eleição do sucessor de Gregório XVII.
A Palavra de Deus hoje nos dimensiona aos perigos e desilusões que a prepotência, a soberba e a vaidade podem nos imergir, quando damos espaços para que estas ervas daninhas se proliferem na cultura que o Senhor realiza em nós por meio de suas obras. Reunido com os judeus, Jesus apresenta uma sólida, irreparável e coerente base argumentativa contra as acusações que sofria por parte de seus algozes. Jesus demonstra que, para aqueles homens, não há mais espaço para a descrença. Isto porque eles se encontravam inseridos num meio repleto de obras praticadas pelo Senhor, incontáveis milagres operados, somado ao verdadeiro testemunho dado por seus seguidores.
Quando o testemunho dado é autêntico, a sua verdade não pode ser contestada. Daí, a grande importância de construirmos uma Igreja verdadeiramente santa e voltada a difundir o testemunho da obra de Jesus que a própria Igreja nos privilegiou tomar conhecimento. Sem estes testemunhos autênticos, a missão se perde, não produz bons frutos e a Igreja se esvazia. Com isso, abre espaço para que a prepotência, a soberba e a vaidade sejam as protagonistas em cena, tomando para si o lugar de Jesus.
Devemos nos questionar se, atualmente, estamos dando ouvidos ao que nos diz o Senhor ou se estamos permitindo que as nossas vozes falem mais alto. Estamos sendo lâmpadas que armazenam a luz de Deus para resplandecer a todos ou estamos nós querendo ser esta luz? Independentemente do que queremos, o Reino de Deus só existirá para aqueles que assumirem a condição de lâmpadas, assim como São João Batista o fez e é recordado por Jesus no evangelho de João.
Que neste santo conclave o Espírito Santo desça sobre todos os cardeais da Igreja. Peçamos a este Espírito Santo que nos mande um Papa que compreenda que a Igreja não é um meio em si própria, e sim um meio com fim no Reino de Deus. Que os cardeais em conclave elejam um Papa que nos conceda um autêntico testemunho de fé e nos inspire nesta caminhada diária rumo ao Reino de Deus e, que desta forma, possamos ser dignos de não apenas ouvir a sua voz de Deus por meio deste testemunho, mas que possamos contemplar a sua Sagrada Face ao início da vida eterna.

