Boa noite, excelências.
O intuito desta reunião convocada pelo Papa Gregório é analisarmos, de maneira muito clara e objetiva, os rumos que o Colégio Episcopal tem tomado nos últimos tempo e chegarmos a soluções fáceis para a solução de problemas crônicos que têm obstado o correto exercício de nosso ministério.
Não apenas isso, a reunião também possui a finalidade de aproximar mais o Papa e a Cúria Romana do Colégio Episcopal. Observamos que, nos últimos meses, esta relação está degradada, quase inexistente. Uma evidência disso é a inutilidade do grupo do SCE no sap, que é um ponto que estamos mudando e os senhores já devem ter notado.
Mas vamos aos pontos centrais da nossa reunião.
*PROBLEMAS*
>>> PERDA DE FINALIDADE DO MÚNUS EPISCOPAL
Quando a Santa Sé entregou aos senhores a bula de nomeação episcopal, que tenho certeza que a maioria aqui almejou muito, não o fez com finalidade recompensadora.
Obviamente que existe um certo grau de mérito que leva um Padre a ser nomeado Bispo. Entretanto, este mérito não é o único quesito observado. Analisamos aqueles que possuem potencial para fazer aquilo que os padres não fazem.
O que os senhores faziam enquanto padres?
Imagino eu que logavam no habbo, concelebravam uma missa de vez em quando, ficavam perambulando sem qualquer objetivo e saíam. Isto é o que a grande maioria dos padres faz (se não todos).
Os senhores acreditam que fazem diferente deles hoje?
Eu mesmo respondo essa pergunta: não. A grande maioria, infelizmente, age como Bispo da mesma forma que agia como Padre. Loga, perambula e desloga. As vezes, fica 3, 4, 5, até 6 dias sem entrar no habbo.
O que ganha a Santa Sé entregando bula de nomeação episcopal a Bispos que continuarão a agir da mesma forma que agiam enquanto Padres?
E isso já nos insere no segundo problema:
>>> DESVALORIZAÇÃO DO MÚNUS EPISCOPAL
Com a perda de sua finalidade, automaticamente seu valor é jogado à lama. Todo o prestígio que existia em torno da dignidade episcopal se esfacela quando Bispos não conseguem compreender o que se espera deles.
Se eu pudesse hoje dividir os Bispos em dois grupos, seriam "os que rezam missa" e "os que nem isso fazem". Ambos os grupos não entregam o que a Santa Sé espera.
Os senhores não fazem ideia da via sacra que os Papas sofrem quando precisam escolher um novo Arcebispo. Isto se dá pela profunda falta de confiança que a Santa Sé possui no atual colégio. Não existe o menor senso de responsabilidade. Os senhores não se importam com o estado de suas arquidioceses e tampouco colocam em prática planejamentos para cooperar com seus arcebispos e fazê-las crescer.
Minimamente, os senhores deveriam ser confiáveis para que a Santa Sé os dignassem a conduzir uma Arquidiocese. Isto já seria um sinal de que suas bulas valeram a pena. Contudo, não é cenário que temos atualmente.
>>> DESEJO PELO CARDINALATO
Embora os senhores não tenham muito ímpeto para cumprirem periodicamente com as funções que a Igreja espera, são leões quando o assunto é almejar o cardinalato.
Como esperam que a Igreja confie a vocês o barrete cardinalício se mal fazem valer as insígnias que já portam enquanto Bispos?
Tenho para mim, excelências, que quando Dom Haddad deixar o Brasil, tempos difíceis serão vividos se os senhores não mudarem esta mentalidade e a forma como encaram seus deveres perante a Igreja.
*SOLUÇÕES*
>>> MUDANÇA NA MENTALIDADE DOS BISPOS
Farei algumas questões, peço que apenas respondam para si mesmos.
Enquanto vigários episcopais em suas arquidioceses, estão acompanhando a atividade dos padres?
Os párocos de suas arquidioceses possuem uma agenda própria de celebração e os senhores acompanham o cumprimento dela?
Sabem dizer quais são os padres que celebram e os que não celebram em suas arquidioceses?
Os senhores têm ajudado os padres nas celebrações eucarísticas diárias?
Os senhores estão presentes nos eventos de suas arquidioceses?
Os senhores comparecem com frequência aos eventos dos Papas para demonstrar unidade com o sucessor de Pedro?
Quantos seminaristas os senhores prospectaram para os seminários de suas arquidioceses?
Qual foi a última vez que os senhores aplicaram uma aula no seminário ou supervisionaram um padre aplicando uma aula?
Responder positivamente estas perguntas já seria o princípio da mudança da mentalidade do Colégio. Mas tenho plena certeza que, se forem responder sinceramente, a maioria das respostas seriam negativas.
É necessário que reformulem suas condutas para que as respostas passem a ser positivas.
>>> RECUPERAÇÃO DA IMAGEM DO COLÉGIO DOS BISPOS
A mudança da mentalidade dos senhores acarretará na mudança da imagem do SCE para o Santo Padre e a Cúria Romana.
Isto deverá ocorrer de maneira compulsória e o Dicastério para os Bispos espera não ter problemas para que cheguemos a esta mudança.
Os senhores deverão recuperar sua imagem, sob pena de perderem a dignidade episcopal que possuem.
Nós entendemos que, por vezes, a indisponibilidade é maior que o tempo livre para estar aqui e colaborar. A vida rheal cobra. Mas, se não temos o tempo necessário para cumprir com as exigências do ofício, o melhor a se fazer é pedir emeritação e dar vaga a quem possa fazê-lo.
Estarei acompanhando semanalmente o cumprimento de seus deveres pelos senhores, por meio de contato com seus arcebispos, relatórios encaminhados à Nunciatura e também pelas minhas próprias conclusões.
Advertirei quem achar que devo advertir. Todavia, quando eu entender que chegou a um limite insustentável, terei de reportar ao Santo Padre para que as medidas mais radicais possam ser tomadas.
No pontificado do Papa Gregório, me desculpem o uso do termo, não teremos espaço para vagabhundo no SCE. A porta da rua será a demissão do estado clerical.
>>> INTERRUPÇÃO NAS RECOMENDAÇÕES DE CRIAÇÕES CARDINALÍCIAS
Como uma das solucionadas para tal, eu me reuni com o Santo Padre e o Decanato do Colégio de Cardeais e chegamos à conclusão que, por hora, todos os Bispos são incapazes de serem criados cardeais.
Enquanto o panorama não mudar, esta dignidade não pertencerá aos senhores. Esta é uma medida que busca não só a recuperação da imagem do SCE, como também manter digna a composição do SCC.
CONCLUSÃO
Nós esperamos, senhores, que não precisemos evoluir a medidas drásticas. Queremos que os senhores se conscientizem de sua importância para a Igreja e que devem tratá-la também com importância em suas vidas, no limite de suas circunscrições territoriais.
Fui suficientemente claro?

