Homilia Dom Vito Lavezzo - Abertura da Clausura

Eminentíssimos irmãos cardeais, os quais saúdo na pessoa do Cardeal Decano, Dom Jorge Snaif Médici. De igual modo, saúdo com estima todos os demais presentes nesta nossa celebração eucarística, em que damos início à clausura do Colégio Cardinalício, momento este em que todos nós, incumbidos da missão de ouvir o desígnio do Espírito Santo sobre o novo Romano Pontífice, reunimo-nos na casa Santa Marta, para nos isolar destes eventos mundanos e concentrarmos nossas intenções na eleição do sucessor de Gregório XVII.

A nossa liturgia da palavra de hoje está profundamente relacionada com a lealdade que devemos ter aos preceitos de Deus e como isto nos leva ao sucesso. Quando emprego a palavra sucesso, não me refiro às benesses oferecidas por este plano mundano, em que sucesso sempre está associado à fama, ao dinheiro, ao poder, à influência, aos privilégios e afins. Aqui, emprega-se o sucesso como um objetivo a ser alcançado. E este objetivo, naturalmente, se substancia na intimidade com Deus e viver conforme seu modelo, na esperança de um dia encontrá-lo no Reino que nos prometeu.

No evangelho de São Marcos, Jesus envia seus apóstolos a caminharem em vielas tortuosas e, nestas terras, executar o plano da copiosa redenção. Jesus poderia, facilmente, ter revestido todos esses apóstolos de muito ouro, muitas terras e influência política para lidar com os grandes poderosos e mestres da Lei daquele tempo. Mas Jesus opta por enviá-los aos verdadeiramente precisam e estarão abertos a receber a palavra de Deus. Aqueles que se revestem de benesses do mundo não se abrem ao que Deus promete e, por isso, mais vale caminhar estre os phobres e viver as suas mazelas. Jesus nos ensina que não há apostolado sem o devido sofrimento da carne. Sofrer na carne o que o povo sofre. É isto o que nos torna verdadeiros apóstolos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Quantos apóstolos deste tipo nós nos deparamos nos dias de hoje? Quantos se dispõem a viver o sofrimento que exige o apostolados?

Pouquíssimos. E, na atualidade, até não me surpreende que poucos se disponham a isso. Porque quando se dispõem, são os próprios "cristãos" que, em tese, deveriam apoiá-lo, que agridem, acusam, dizem que é falso padre, que apoia cracholândhia. Abrem Comissão Parlamentar de Inquérito e tantos outros atos para reprimirem o verdadeiro apostolado. A cruz de todo apóstolo é saber que será perseguido e que poucos irão aceitá-lo, mas que o Senhor está conosco nesta missão de cada dia.

É necessário muitas virtudes para suportar esta desertificação que a sociedade contemporânea, cada mais relativista, nos impõe a passar. Sobretudo, a coragem é se torna um pressuposto inafastável para que suportemos toda a oposição que o mundo nos oferece. Por isso, em seus últimos momentos, Davi alerta seu filho Salomão, na primeira leitura, para que seja corajoso. Corajoso para seguir os estatutos, os mandamentos e os ensinamentos que Deus tem para nos nortear. A coragem é necessária, porque o número de pessoas que tentarão nos afastar de Deus, sempre será infinitamente superior ao número de pessoas que querem nos aproximar de Deus.

Que neste santo conclave o Espírito Santo desça sobre todos os cardeais da Igreja, a fim de que escolham um Papa disposto a passar pelas vilipendiosas experiências que o verdadeiro apostolado exige que passemos, e que nos construa pontes firmes rumo ao Reino dos céus.