Pregação Dom Vito Alberti Lavezzo - Sétimo dia da novena

 Hoje, o Arcebispo de Aparecida me deu a missão de vos falar um pouco sobre o tema de hoje, que trabalhamos neste sétimo dia de novena da Mãe Aparecida: "Com Maria, construir uma sociedade de humana de justiça e de paz!". Este é um tema que nos leva à uma profunda reflexão e abordá-lo, por muitas vezes, é algo desafiador. Isto porque as palavras Justiça e Paz são conceitos extremamente abstratos e cede uma ilimitada liberdade para que o interlocutor possa produzir uma linha filosófica de pensamento para destrinchar as suas nuances ao ouvinte. Aqui, eu dirijo esta interlocução convosco.

Para o Senhor, a paz é o oposto da guerra. E a justiça consiste na imparcialidade do julgamento mediante a conduta daquele que é julgado, considerando todas as motivações que levaram o réu à mácula da alma, para que assim seja feita a dosimetria da misericórdia de Deus. Sendo sim, a paz e a justiça estão intimamente relacionadas, porque uma sociedade justa, tende a ser fraterna. E, se fraterna, tende a viver em paz. Deus, portanto, é o Senhor justo em seus julgamentos e, uma população que se submete aos seus julgamentos de mérito, abaixam suas espadas e vivem em paz, como assim nos conta o profeta Isaías, na passagem que acabamos de ler.

Contudo, meus queridos e queridas, a sociedade é ramificada e não é todo mundo que escolhe viver sob a jurisdição de Deus. Até mesmo aqueles que se dizem viver sob os mandamentos de Deus, entram em conflito diariamente por fazerem diversificadas interpretações extensivas sobre o que de, de fato, Deus quer e representa. A moral da história é que, no fim das contas, ninguém está certo e ninguém tem a capacidade de revelar com previsão a vontade exata de Deus.

Portanto, aqueles que usam do nome de Deus para legitimarem o seu discurso, incorrem em erro grave. Aqueles que bradam que "Deus está acima de todos" como forma de legitimarem sua crueldade, incorrem em erro grave. Deus não está acima de todes, Ele está no meio de nós. Usar do nome de Deus desta forma, é um ato digno do anticristo. O anticristo age exatamente desta forma: ele afirma que fala em nome de Cristo, quando, na verdade, faz tudo ao contrário do que Cristo faria. Quem usa do nome de Deus para se promover, quer apenas se projetar acima do próprio Deus, como uma forma de ter adoradores. Brinca com a fé das pessoas, relativiza a misericórdia de Deus.

O Senhor de misericórdia zombará do sofrimento de seus filhos. Por esta razão, meus queridos e minhas queridas, enxergando em Nossa Senhora a mulher negra e sofredora que morreu na maca de um hospital sem vacina, somos chamados a refletir muito sobre aqueles que usam do nome de Deus para se promover politicamente. Estes não promovem Justiça, não promovem Paz. Usam do nome de Deus apenas para fomentar a guerra, o ódio, o preconceito, a intolerância, o racismo, o machismo, dentre  tantas outros seguimentos que a Igreja deve combater. Vejam quantas famílias foram destruídas por conta de um voto de protesto. Vejam quantas famílias foram destruídas por conta de pessoas que escolheram a arma e não o lápis. A Igreja pede que você tire hoje a arma da criança e dê a ela um lápis para estudar e chegar à universidade. Juntos, os brasileiros mostrarão que o nome de Deus deve estar vinculado à justiça e à paz, jamais ao fascismo.