Irmãos e irmãs, cumprimento a todos com muita alegria. De modo especial, saúdo o Monsenhor Ruan Oliveira, pároco desta nossa paróquia dedicada a São Francisco, o qual tenho a alegria de estar aqui hoje celebrando a abertura do tríduo que honra ao Pai Seráfico franciscano. Concomitantemente, não menos importante, celebramos também a memória de Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face. Ambos estes santos, dentro de suas peculiaridades e modos de vida diferentes, amaram o Senhor sobre todas as coisas do mundo e viveram suas vocações em sua mais profunda essência.
A liturgia da palavra de hoje é muita oportuna para refletirmos estas vocações, que em sua essência se consubstanciam numa eterna subsunção à vontade de Deus e sua centralidade na inspiração do modo de vida. Pela primeira leitura, é possível vermos a narrativa da passagem final da vida de Jó. Ao fim de sua vida, Jó teve tudo aquilo que sempre sonhou. Tudo o que era do mundo e Jó desejou, Deus fez questão de lhe dar. Mas porque assim o quis o Senhor? Deus pretendia que Jó valorizasse mais ao mundo que ao Pai? Deus quis adquirir a fé de Jó, agindo por milagres? Evidentemente que não, meus queridos. Deus assim o decide fazer pois tinha ciência de que Jó o amava acima de todas aquelas coisas. Jó torna-se digno de tudo receber, pois enquanto miserável. fez do Senhor tudo aquilo que tinha. Sua submissão ao Pai, portanto, não consiste numa vocação inspirada pelo temor ou pela necessidade, e sim pelo mais puro e sublime amor.
Contudo, meus queridos, ainda sim quando nos deparamos com este sublime amor que nos impulsiona à vocação de viver sob o desígnio de Deus, somos sujeitos a atos falhos. E, por vezes, podemos nos afastar do real desejo de Deus, ainda conclamando o seu nome, para executar ações que fogem à moral teológica da vida em comunidade. Isto é muito bem exemplificado no evangelho de hoje. É possível ver que o Senhor exorta a seus discípulos que eles devem sim se alegrar de ter poder sobre os demônios, mas que sua principal alegria sempre deve ser terem seus nomes inscritos para o céu. Em outras palavras, nossa principal alegria deve residir na esperança de encontrar ao Pai em seu Reino. Não podemos permitir que o poder nos confiado em Terra seja a razão pela qual nos afastemos de Deus. Principalmente nós, Igreja, entidade que se responsabiliza pela condução de almas ao céu, deve sempre ser atenta para não se desviar de sua missão salutar.
Não obstante, também é de nossa alçada que rezemos por aqueles que detêm outros tipos de poderes, estes dados pelo mundo, como é o caso de nossos governantes. É necessário que rezemos por eles para que zelem pelos filhos de Deus quando estiverem no controle da máquina do Estado. A vida em comunidade também depende disso. Diante disso, neste dia em que antecedemos as eleições nacionais, é muito importante discernimento ao votar. Abandonemos aos candidatos que promovem o ódio, o relativismo, ataques à imprensa, às instituições democráticas e que se mostram inertes quanto às questões sociais e de saúde pública. Precisamos confiar em candidatos que promovam o bem, para que jamais tenhamos medo de ser feliz, assim como o Senhor confia em nós o poder de conduzirmos almas ao seu Reino.

