Homilia Dom Vito Lavezzo - Martírio de São João Batista

Amados irmãos e amadas irmãs, com muita estima cumprimento a todos os presentes. Em especial, quero saudar aos irmãos sacerdotes que concelebração eucarística, nas pessoas do Arcebispo Metropolitano, Dom Miguel Dolezzio, e do pároco deste antigo templo dedicado a São João Batista, Dom Cristiano Tavares.

Hoje celebramos a solenidade do martírio de nosso padroeiro que, assim como Maria, antes mesmo de ouvir a voz do Senhor, já professava a sua fé e o anunciava. Tão grande era o amor de João por Deus que, precedendo ao Senhor na instituição de seus apóstolos, João foi o responsável por reunir discípulos que o acompanhavam e divulgavam o anúncio da vinda do Deus conosco, do Deus que se faz presente em carne e em sacramento.

E tão grande era o amor de João pelo Senhor que seu testemunho encantava até mesmo o mais vil dos pecadores: o Rei Herodes. O evangelho é muito claro ao informar que, mesmo tendo seu adultério contestado por João, Herodes não o reprimia, não o contrariava, mas o ouvia, como um filho que ouve o pai o repreender, sabendo que aquele que fala detém a razão e o conhecimento da verdade. Herodes sabia que João anunciava a verdade, mesmo que esta verdade o incomodasse. E, incorrendo em profundo erro e pecado, Herodes escolhia por não seguir a verdade.

É natural que, ao nos depararmos com uma narrativa tão forte como a do evangelho de hoje, nos compadeçamos de João e da injustiça que sofreu João. Porém, meus irmãos e irmãs, quantas vezes nós não assumimos o papel de verdadeiros “Herodes” em nossa vida cotidiana? Conhecemos a verdade de Deus, que é a absoluta verdade, e muitos se espantam, pois sabem que é uma verdade que exige renúncia a si mesmo. É uma verdade que exige que amemos a Deus e ao próximo. E, evidentemente, este grau de exigência que a verdade carrega consigo repele aos egoístas e narcisistas, que tomam a si mesmo como centro da própria vida. Este é um grande mal da sociedade contemporânea: a vaidade excessiva. Muitos estão dispostos a tudo para que seus interesses prevaleçam. Assim foi Herodes, assim foi Herodíades e assim somos muitos de nós, infelizmente. Transformam a palavra de Deus e seu sentido, para que convenham apenas aos próprios interesses, e não pelo projeto da copiosa redenção.

Diferentemente deste esteriótipo de pessoas que existem desde os tempos antigos até os atuais, São João Batista escolheu a copiosa redenção no Deus que dá coragem. Mesmo que tenha sentido medo e entrado em agonia, o que é perfeitamente normal à condição humana em que era submetido, em nenhum momento recuou de sua missão de exortar, quem quer que seja, até mesmo sendo o próprio Rei, da sua missão de ser reto no caminho que leva o reino de Deus. João Batista acreditou naquele Senhor retratado na primeira leitura, que o livraria de toda a aflição e agonia antecedente ao martírio, mantendo firme suas pernas e o afagando das dores, para que pudesse suportar a sanguinária morte que o levaria à glória dos altares.

Que hoje e sempre nos inspire a forma em que viveu o nosso padroeiro e percursor, para que Deus esteja sempre a frente de nossas pretensões pessoais.