Homilia Dom Vito Lavezzo - Segundo dia do tríduo 16 anos ICAR

Meus queridos amigos e amigas, minhas saudações fraternais a todos que aqui se fazem presentes, povo de Deus, cardeais, presbíteros... Quero saudar de maneira muito especial a todos os membros do Sacro Colégio Episcopal, aos quais este segundo dia do tríduo pelo aniversário de 16 anos da Igreja habbiana é dedicado. Que missão difícil é ser bispo no habbo. Parece tão fácil, quando visto de longe. Por vezes, é uma missão erroneamente cobiçada por aqueles que não compõem o Colégio Apostólico. Mas quando se sente na pele o que é ser bispo, o que é ser cobrado diariamente pelo desenvolvimento da Igreja e do rebanho de Deus, aí sim percebemos o quão exigente é esta missão apostólica. E é nesse momento que nós nos questionamos. Ou melhor... É neste momento que nós questionamos a Deus: "Meu Pai, eu sou mesmo digno de ser um dos teus pastores? Eu tenho mesmo a capacidade pra conduzir sua ovelhas, como o Senhor pediu aos apóstolos?".  Mas meus queridos, é toda esta cobrança que faz valer esta missão. Foi toda esta cobrança que garantiu que a nossa Igreja sobrevivesse por 16 anos. Arrisco-me a dizer que é a instituição virtual com concentração de jovens vocacionados mais longeva do mundo. Em todos estes anos conhecemos alguns irmãos de fora, mas nenhuma instituição era mais antiga que a nossa, erguida em 2006.

E meus amigos e minhas amigas, sobre a exigência dessa missão, vemos hoje a primeira leitura. Que lindo que é observar a forma como o profeta Jeremias se curva diante de Deus e duvida de sua dignidade para ser a voz do Senhor ao povo. ISTO ERA O QUE DEUS QUERIA DO PROFETA: QUE ELE FOSSE A SUA VOZ AO POVO. QUE ELE ANUNCIASSE A SUA VINDA SUBLIME AO POVO! E o profeta sentiu aquela convocação, mas teve medo. Um medo natural. Um medo de falhar, de não corresponder. De não estar à altura do que o Senhor quer. Quem nunca sofreu questionamos do tipo? De duvidar de si mesmo? Mas é neste momento, amigos e amigas, que nos esquecemos que o Senhor nunca nos deixa de lado. ELE NÃO NOS DESIGNA A UMA MISSÃO E NOS DEIXA À DERIVA PARA QUE A CUMPRAMOS. O Senhor está o tempo todo em nossos lábios, em nossas ações, em nossas vontades... SÓ PRECISAMOS DEIXAR QUE ELE VIVA EM NÓS! PRECISAMOS DAR ESTA PERMISSÃO PARA QUE ELE NOS USE COMO INSTRUMENTO DE SUA PALAVRA! COMO ALÇADA PARA O SEU DESÍGNIO DE SALVAÇÃO! Jeremias deixou-se levar pelo Senhor. Deixou-se ser inspirado pelo seu Santo Espírito e ANUNCIOU COM ALEGRIA A VINDA DE DEUS! Como diz o salmista, ele ANUNCIOU A JUSTIÇA DE DEUS!

Neste contexto, meus amigos e amigas, somos introduzidos à dinâmica do evangelho. Esta passagem é um verdadeiro enlace, e tantas são as visões dos intérpretes sobre o que Jesus quis nos passar com uma metáfora tão bem elaborada. O Senhor conta sobre um semeador que sai para semear. Ao longo deste caminho, ele deixa sementes caírem ao longo de seu trajeto. Em uma primeira situação, os pássaros vêm e comem estas sementes.

Neste cenário, o semeador é o próprio Cristo. Ele veio ao mundo com um objetivo claro, traçado pelo Pai, que era morrer na cruz por todos nós. Porém, ao longo de seu caminho, foi deixando suas sementes, ou seja, seus milagres, suas pregações, SEU ANÚNCIO DO REINO DOS CÉUS. Estas eram as sementes que o Senhor queria que germinassem e criassem raízes na humanidade. Porém, naturalmente, existem aqueles que não dão chances para que estas sementes germinem. Destroem-a antes que surtam efeitos nos corações. Estes são os pássaros. Quantos pássaros não vemos por aí nos dias de hoje, trabalhando unicamente para deturpar o que diz e ensina a palavra do Senhor?

Já em outro cenário, as sementes caem em terreno pedregoso, germinam e crescem, mas logo o sol as queima, pois não possuem raízes para se nutrir. Neste caso, novamente o semeador é o Senhor e as sementes são seus ensinamentos. O terreno pedregoso representa todas aquelas pessoas não levam para o coração as palavras de Deus. Sabem aquele velho ditado do "entrou por um ouvido e saiu pelo outro"? Pois é. A pessoa comparece à missa, ouve ao padre, ouve pregação do padre, ouve a palavra de Deus, porém a partir do momento que sai da Igreja, vive uma vida COMPLETAMENTE ADVERSA do que aquela que lhe foi passada. Não tem qualquer interesse em aprofundar, criar raízes, viver conforme os preceitos de Deus.

Em outro cenário, as sementes caem no meio dos espinhos. Estes espinhos são uma metáfora para representar uma vida vivida em meio ao pecado, em meio à maldade, em meio a tudo o que há de ruim e que vai de encontro à palavra de Deus. As pessoas que vivem desta forma sufocam e matam a palavra de Deus logo quando esta lhes é passada. É necessário que estes espinhos, ou seja, os pecados sejam cortados, retirados, para que esta palavra possa criar raízes e permanecer. 

Já no último cenário, vemos o que é do agrado de Deus. A terra boa representa a pessoa que ouve e põe em prática a palavra do Senhor, permitindo que ela crie raízes no seu modo de viver e crie frutos, isto é, a conversão de outros por meio da palavra que é anunciada pela pessoa que escolhe ser uma terra boa para o plantio da palavra de Deus.

Neste interim, meus amigos e minhas amigas, o questionamento que a liturgia da palavra busca levantar é o seguinte: qual tipo de terra somos? Somos a terra que não permite que o Senhor crie raízes? Somos a terra que sufoca a palavra de Deus por meio dos pecados? Ou somos a terra que permite que ele crie raízes e nos inspire, assim como inspirou Jeremias na primeira leitura, a anunciar vossa palavra?

Que pelas palavras da liturgia da palavra, sejamos livres de sermos um terreno pedregoso, um terreno de espinhos ou sermos um pássaro que tritura a palavra de Deus, mas que possamos ser terra boa e que ele germine em todos nós.

Amém.