Homilia Dom Vito Alberti Lavezzo - Quarta feira de cinzas

Caríssimos irmãos e caríssimas irmãs, minhas saudações a todos vós que se fazem presentes. Como forma de acolhimento aos irmãos terceiros aqui presentes, bem como àqueles que nos visitam nesta belíssima basílica dedicada ao nosso padroeiro e pai Elias, saúdo a excelentíssima priora deste bendito sodalício da ordem terceira do Carmo, Irmã Kate Alberti Rossetti, em nome de todos vós, para juntos abrirmos este novo tempo litúrgico, a quaresma, um tempo penitencial, reflexivo e, sobretudo, preparatório para o surgimento de nossas dores mas também pelo nascimento da esperança no Senhor.

"Misericórdia, ó Senhor, pois pecamos!", é assim que clamamos o perdão do Senhor para conosco, por meio das palavras do salmo de hoje. Este clamor, não devemos fazer apenas pelas nossas palavras, com verbetes soltos, mas também pela demonstração de nossos pensamentos convertidos em atos. A primeira leitura, da profecia de Joel, vem nos mostrar que o perdão que buscamos nos é concedido pelo arrependimento que sentimos em nosso interior, não pelo arrependimento que queremos demonstrar com os nossos bens. Devemos rasgar os nossos corações, não as nossas vestes, clamando a Deus pela sua misericórdia, pois reconhecemos que somos indignos do imenso amor e perdão que o Senhor há de nos conceder.

Pelas palavras do apóstolo Paulo, em sua segunda carta ao povo de Corinto, vemos o apelo suplicante, que o apóstolo faz em nome de Cristo: "deixa-vos reconciliar com Deus." A obra da conversão é um ato puramente divino. Todavia, só podemos alcançá-lo se deixamos ser levados pela graça de Deus. Esta graça se revela na leitura de sua palavra, na vivência de seus mandamentos, nas confissões, na renúncia pela mundanidade e numa vida centrada às crenças deixadas por Nosso Senhor enquanto cumpriu sua missão de difusão do Reino de Deus.

E na conclusão da liturgia da palavra, temos o evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo narrado por São Mateus, onde o Mestre tão bem nos mostra a preocupação do homem e a preocupação que o homem deveria ter. A esmola, a oração intensa e o jejum, atoa cristãos típicos da quaresma, como forma de buscarmos uma proximidade e reconciliação mais profunda com o Senhor, muitas vezes perdem o seu fundamento por conta da intenção do homem ou mulher que a pratica. Estes atos devem ser vivenciado como forma de esplendor ao Senhor, não a quem pratica. Na contemporaneidade que vivemos, é comum vermos pessoas que preocupam-se mais na manutenção de sua imagem perante aos homens, do que da sua imagem perante a Deus. Aquilo que vivemos deve ser em função de Deus, não em função dos homens. A globalização desenfreada nos faz desviar o foco, muitas vezes, até mesmo da celebração do Santo sacrifício do Senhor, onde ao invés de nos prostrarmos para adorar o Jesus eucarístico, temos a preocupação de pegar o nosso celular para fotografar alguma coisa.

A quaresma é o tempo em que a reconciliação com o Senhor deve ser a nossa única meta. A imposição das cinzas que teremos hoje, vem para purificar as nossas mentes. Do pó viemos, e ao pó retornaremos, cumprindo o propósito de nossas vidas. Admitir isso é reconhecer a nossa pequenez diante de Deus, diante de sua grandeza, de sua misericórdia. Porém, mesmo com toda a nossa insignificância, Deus ama a todos nós e, por isso, sempre está disposto a nos perdoar por nossas repetitivas faltas pecaminosas.

Portanto, queridos irmãos e queridas irmãs, exorto a todos vós a importância de vivermos uma quaresma serena. Como diria o Papa Francisco, a quaresma é o deserto. E num deserto, irmãos e irmãs, buscamos apenas aquilo que nos é essencial para seguirmos em frente, deixando de lado o que é supérfluo e distante da realidade que o Senhor quer que vivamos. Façamos da contemplação do Senhor eucarístico, do sacramento da confissão, do jejum, da caridade, da fraternidade, o essencial para a nossa vivência nessa quaresma, pois assim, estaremos nos deixando reconciliar com Deus.