Pregação Dom Vito Alberti Cardeal Lavezzo - 1º dia da Novena de Nossa Senhora da Conceição Aparecida

Meus amados irmãos e amadas irmãs, minhas singelas saudações a todos vós aqui presentes. De modo especial, saúdo meu tio e arcebispo metropolitano desta província aparecidense, Dom Raul Alberti Damasceno, em nome de todo o clero arquidiocesano, visitantes e povo de Deus que se faz presente, que concedeu a mim e à ordem bendita dos irmãos terceiros carmelitas a honra de abrir a festa da rainha e padroeira do Brasil, Nossa Senhora da Conceição Aparecida, com esta novena solene.

Hoje, a meditação desta palavra do livro do Êxodo nos esclarece o sentido do tema deste primeiro dia de novena: "Com Maria, em Família, revestir-se da Palavra". Aqui estamos, reunidos, em torno do altar deste santuário, pra meditarmos a Palavra em que Deus, por seus dizeres, pré-anuncia a páscoa do povo hebreu, a sua libertação pela ação de Moisés. O livro do Êxodo, quase que em sua totalidade, caracteriza-se por estes traços de familiarização do povo israelita com a figura de Deus. Este não se apresenta mais como um Todo-Poderoso, mas sim como um Todo-Amoroso, pois se apresenta como um Deus que é Pai. Por ser Pai, não se afugenta de seu povo, que são seus filhos, mas vai em busca de seus eleitos. Isso torna-se ainda mais claro aos nossos olhos quando, assim que Moisés tampa seus olhos para não ver a Deus, em sinal de sua completa submissão ao esplendor do Pai, Este exprime a dor em suas palavras ao reconhecer o sofrimento de seu povo nas mãos dos egípcios. Esta dor é a dor de Pai amoroso que enxerga a injustiça e a crueldade nos homens que buscam se aproveitar dos outros, isto porque em Deus encontramos a fonte de todo o amor que há no mundo. Que pai que olha os próprios filhos sofrerem e não sente nada em relação a isso? Sabemos que na contemporaneidade, esta postura é muito comum na personalidade de alguns pais inconsequentes, que objetificam seus próprios filhos, infelizmente. Isto acaba por afastar até mesmo o afeto do próprio filho em relação ao pai, pois ali já não há mais o amor de Deus. O amor comum entre um pai e um filho deve ser puro e compadecente, assemelhando-se ao amor de Deus por cada um de nós.

Este amor de Deus, que tanto falamos, não se manifesta apenas pelas palavras do Pai, mas também pelas suas ações e envios ofertados ao seu povo. Este trecho que lemos já nos anuncia que o Senhor é Deus de libertação. A páscoa dos judeus é um sublime ato pela liberdade do povo, que já não é para ser mais escravizado, mas para ser livre e caminhar, aspirante às promessas que Deus nos faz. Aquele tinha como sua terra prometida a Jerusalém, que apesar de intrínseco, é desta que se trata. Para chegar nessa terra, o povo ainda passaria por muitas provações até que chegasse nesta terra prometida. De igual modo, hoje somos chamados a nos revestir desta palavra, aqui em família, conservando-nos nos valores de Deus, buscando também marchar em direção a Jerusalém, porém a Jerusalém celeste, que é o próprio Reino de Deus e lugar da libertação das almas terrenas. Esta é a oferta que o Senhor nos apresenta ao se compadecer de nós, seus filhos. Agora, para que possamos desfrutar da piedade divina, devemos fazer como Moisés, que conserva sua fé e ouve ao chamado de Deus, que para nós, é o chamado da conversão. O Senhor nos pede que encarnemos a sua palavra em nossa própria carne. Assim como a mãe de Deus e nossa, fazer do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo a fonte de nosso conhecimento, sabedoria, atos e pensamentos. Pergunte a si mesmo se você está ouvindo o chamado do Senhor que quer te ofertar esta graça.

Amados irmãos e amadas irmãs, como já nos diz e vive repetindo o Papa Francisco, a conversão é uma graça. Coloquemo-nos à disposição para ouvirmos este chamado de Deus para nós e nos façamos dignos de ghozar da libertação de nossas almas e desfrutarmos da Jerusalém celeste em nossa páscoa definitiva. Que Deus nos conceda esta graça.