Amados irmãos e amadas irmãs, minhas singelas saudações a todos vós. De modo especial, saúdo ao Cardeal Arcebispo desta província eclesiástica, Dom Caio Medeiros, com a mesma estima, saúdo o reitor deste santuário Mariano, a casa da Mãe Aparecida, Cônego Eugenio Lorscheider, em nome dos concelebrantes e povo de Deus presentes neste dia.
Hoje celebramos o Imaculado Coração de Maria, o coração da santíssima mãe de Deus livre de todo o pecado. Hoje é um dia em que somos chamados a refletir o amor que Maria abriga em seu coração, tanto por Deus, que sempre amou sobre todas as coisas, ao ponto de aceitar ser o único tabernáculo vivo a existir, dando a luz ao Deus menino, como também por nós, que somos seus filhos, filhos de uma única mãe deixada pelo próprio Jesus em seu calvário. Não somente o amor compreendido no coração de Maria, mas também o que este imaculado coração é capaz de suportar. Suportar pela humanidade, pela paixão de Jesus, por todo o sofrimento que nós a fazermos sentir e que nós também sentimos.
E, para atestar isso, o Evangelho de hoje, narrado por São Lucas, conta-nos a passagem onde Jesus desaparece em Jerusalém por três dias, causando o desespero de seus pais, Maria e José, que procuraram ele por toda a cidade, até encontrá-lo no templo, catequizando aquela porção de fiéis que se encontravam por ali. Esta passagem do evangelho, retrata a terceira das sete dores de Nossa Senhora, que foi a dor de achar ter perdido seu Filho. Maria sabia do ministério que seu filho teria de exercer e sabia também que, já anunciado pela primeira dor de Maria, que é quando Simeão diz que Jesus seria um sinal de contradição no mundo e que uma espada traspassaria seu coração, e por isso, preocupava-se muito em não cumprir a missão que Deus a encarregou. A missão de criar aquele menino, de fazê-lo sempre estar atento ao que o Pai queria dizê-lo. A dor que Maria sente naquele momento é a dor que muitas mães sentem na atualidade. Uma dor de incerteza quanto à criação de seus filhos, se eles estão bem, se estão no caminho certo. A terceira dor de Maria é a dor de todas as mães. É um senso protetivo materno que todas as mães herdam de Maria, por extremo amor ao filho. E, ao fim deste evangelho, isto se confirma, quando o evangelista diz que Maria "conservava em seu coração todas essas coisas". E, de fato, o coração mariano conservava de tudo, pois à Nossa Senhora foi reservada a missão de suportar o mais sublime amor, que era aquele proveniente de Deus, e também de suportar a mais sublime dor, de ter uma espada traspassada em seu coração, o coração livre do pecado e rico em santidade.
Amados irmãos e amadas irmãs, nesta memória em que voltamos nossos olhares unicamente à Maria, nossa mãe, a mãe que nós conserva a fé e nos mantém unidos à Igreja de Cristo, exorto a todos que busquemos assemelhar nossos corações ao de Maria, mesmo sabendo que temos corações cheios de mácula, estejamos sempre prontos para amar e sofrer pela missão que somos encarregados por Deus, vivendo mais para o céu e menos para o mundo. Estendamos também nossos pensamentos às mães de todo o mundo, que pela intercessão de Nossa Senhora, elas também possam amar seus filhos e agir em proteção destes, tendo a mãe de Deus como maior exemplo de serva e mãe.
Louvado seja o coração de Nossa Senhora!

