Dom Vito Alberti Cardeal Lavezzo - XI Domingo Tempo Comum

Amados irmãos e amadas irmãs, minhas singelas saudações a todos vós. De modo especial, saúdo o Decano do Sacro Colégio de Cardeais e Prefeito da Congregação para os Bispos, Dom Raul Cardeal Gabriel, em nome de todos os bispos que participam deste retiro que tanto enriquece ao colégio apostólico no exercício do seu sacerdócio pleno e unido à Igreja.

Neste XI Domingo de nosso Tempo Comum, onde celebramos a esperança do povo de Deus em vista da concretização das palavras que o Senhor nos disse ao longo do exercício de seu sumo sacerdócio terreno. E especialmente hoje, o salmista vem nos fazer um anúncio que já temos conhecimento, mas que passa por despercebido de nossos olhares em muitas situações: "Nós somos o povo e o rebanho do Senhor". Amados irmãos e amadas irmãs, este salmo nos leva a compreender o sentido de nossas vidas: uma vivência eternamente guiada pelo Senhor, pois nós somos o teu povo eleito e os escolhidos para o exercício de um sacerdócio régio, unidos pelo batismo, como nos explica o Santo Padre, o Papa João Paulo VII, em sua encíclica Sacerdotium Regium, e também como bem nos definiu São Paulo VI, na época do Concílio Vaticano II. Nós, unidos e único povo eleito por Deus, somos as ovelhas que também são sacerdotes. Na primeira leitura, retirada do livro do Êxodo, vemos o Senhor falar a Moisés que aquela porção escolhida, aquela porção que havia acabado de passar pela páscoa dos judeus, pela libertação que vinha de Deus, era o povo escolhido, ou seja, o povo que se receberia as graças que o Senhor tem a derramar sobre ele, desde a libertação da opressão até a salvação eterna. Hoje somos chamados pelo salmo em conjunto com esta primeira leitura a reanimarmos esta aliança que o Senhor fez conosco e proclamarmos que somos o povo eleito e herdeiros da graça de Deus, porque Dele somos o povo, Dele somos o rebanho, que anseia ser guiado para receber as promessas de Cristo.

Na segunda leitura, Paulo reporta-se aos Romanos com muita facilidade para retratar o extremo amor que Deus tem pelo seus filhos e o quanto esse amor converte-se em extrema misericórdia, a ponto de sempre estar em busca do filho perdido e rogar pela sua redenção. Paulo nos adverte de maneira bem incisiva a incapacidade que o homem tem de não entregar sua vida pela missão do anúncio. Isto muito se deve à uma prisão mundana, onde o homem mais valoriza sua vida terrena do que a vida que teremos após a nossa morte na Terra. É uma clássica postura que o homem de pouca fé assume ao se submeter ao mundanismo. E, infelizmente, isto pode acometer inclusive sacerdotes ordenados, até mesmo bispos. Quantos bispos não escolhem o caminho dos prazeres mundanos do que o caminho dos prazeres celestes, que é viver no reino de Deus? Nós, enquanto ovelhas de Cristo, e também na posição de pastores das mais diversificadas porções do povo de Deus, devemos nos preocupar com a união ao Corpo de Cristo, pois deste corpo é que é derramado o sangue da nova e eterna aliança, que nos força à uma redenção coletiva e que nos resgata a alma.

E pelas palavras do evangelho de Jesus, pela narração de São Mateus, vemos a entrega do dom apostólico aos eleitos para o ministério ordinário, o ministério dos apóstolos que seriam responsabilizados ao pastoreio da grande messe do Senhor. Este dom apostólico não deve ser visto apenas como poderes dados por Jesus, mas como dom do Espírito Santo. Cada pessoa que recebia a ação do milagre era purificada e tornava-se discípulo do Senhor. Era uma ação Espírito santificador, não do homem apóstolo em si. Assim como os apóstolos, nós nos despusemos ao longo de nossa vida ministerial para que o Espírito aja em nosso povo através de nós, que possamos proclamar, assim como São Paulo, que já não somos nós que vivemos, mas que Cristo vive em nós. E exercendo este ofício apostólico que somos encarregados pela vontade de Deus, que nos tornemos os operários da messe, esta messe grande e que aguarda a salvação pelos nossos atos. Em especial ao colégio dos bispos, faço menção ao que eu disse em nossa conferência de mais cedo, onde falamos da função santificadora de todo o epíscopo: sejam observadores e levem o sacramento ao povo, santifiquem a messe pelo Cristo imolado e eucarístico.

Que Deus nos conceda a graça de que, unidos pelo único corpo de Cristo e pelo Único Espírito Santo de Deus, possamos exercer com excelência o ministério operário que fomos confiados por Nosso Senhor Jesus Cristo.