Amados irmãos e amadas irmãs presentes neste grandioso e maior templo mariano do mundo, minhas singelas a todos vós. De modo especial, saúdo nosso pastor metropolita, Dom Caio Skol Cardeal Medeiros, bispo desta província aparecidense, e também saúdo com muita estima estes nossos dois irmãos diáconos, José Maia e Gabriel Tebald, que hoje darão início ao seus ministérios sacerdotais, como padres instituídos pelo poder e vontade de Deus. Uma perfeita vivência da vocação que lhes foi incumbida desde a concepção e por vós descoberta no convívio na casa de Deus e deste povo eleito.
A palavra de Deus, neste domingo, convida-nos a enxergarmos a verdade de Deus, para que assim possamos viver e sentir o Espírito Santo que se manifesta em nossos corações quando temos o conhecimento e colocamos em prática esta verdade que Deus nos mostra pela sua palavra. Que verdade é essa, meus irmãos e minhas irmãs? É a verdade única de que a promessa da salvação há de ser cumprida e, para que possamos desfrutar deste privilégio de adentrarmos o reino de Deus, que justamente é o reino da salvação que Jesus anuncia constantemente no novo testamento, precisamos viver esta verdade, não só reclusos a nós, mas também estendendo esta verdade a nossos irmãos e irmãs que dela desconhecem.
Na primeira leitura, vemos como as coisas mudam. No primeiro capítulo dos atos dos apóstolos, aqueles amigos de Jesus que ceiaram com ele na última ceia, saem às ruas para viver o ministério apostólico. E nestas saídas, vemos o quanto são perseguidos pelos poderosos da época. Encontravam-se em minoria e por isso eram oprimidos. Já neste oitavo capítulo dos atos dos apóstolos, vemos que as coisas mudaram completamente. Os números de cristãos são tão crescentes que os apóstolos eram pastores insuficientes para guiar aquele messe. Eram necessários mais pastores, mais vocacionados que anunciassem a palavra de Cristo. E nesse cenário, vemos o quanto Filipe se destaca na vivência de seu ministério ordenado por São Pedro. Tão bem nos vem a calhar esta leitura no dia de hoje, onde dois jovens diáconos são eleitos para o exercício do ministério sacerdotal, um ministério que exige a disposição para batalhar na Vitória sobre o pecado e conversão dos perdidos. Para que esta Vitória seja viabilizada, a Igreja necessita de ministros, ordenados ou não, que vivam intensamente seus ministérios. E o que implica viver corretamente este ministério? Não basta apenas que anunciemos a palavra e ofereçamos a nossa catequese. Viver o ministério corretamente é também se preocupar se nossos filhos espirituais estão recebendo a nossa mensagem. O simples fato de falarmos e divulgarmos a verdade, não significa que o Espírito da Verdade, aquele que o evangelho de hoje nos diz, se manifesta no coração dos irmãos e irmãs que dependem de nós para alcançar a conversão individual. A esses necessitados, o que nos cabe é sermos exemplos de sacerdotes, para que assim, seguindo o nosso exemplo, o povo atinja o objetivo que queremos. Antes de buscarmos exigir que os outros sejam morais e santos, devemos plantar esta vontade de sermos morais e santos em nós mesmos. Se não, do que valerá tanto falso moralismo? Apenas para corromper ainda mais as mentes dos catecúmenos?
Queridos irmãos e queridas irmãs, em especial nossos diáconos eleitos ao sacerdócio, chamo a vós atenção à leitura da primeira carta de São Pedro, que vemos na segunda leitura desta liturgia da palavra. Pedro nos pede que vivamos de forma mansa, todavia com consciência! Mansidão não é sinônimo de descaso, timidez, indiferença... Mansidão é sinônimo de cautela, gentileza, cuidado, a prática do amor está relacionada com a forma em que vivemos nosso ministério e somos mansos. Transmitamos desta forma o modo de vida guiado pelo bem, pela vontade de sermos homens justos que lutam pelo resgate dos ímpios.
Já encaminhando ao fim desta pequena palavra, vivam de cabo a rabo o evangelho que temos hoje: do amor tudo emana, porque o amor é Deus, e Deus em tudo vive. Portanto, ame ao Pai, ame ao Filho, ame ao Espírito Santo. Mas também, não deixe de amar aos teus irmãos, pois neles Deus também firma a sua morada. Levai, queridos quase-sacerdotes, a verdade de Deus a todos os homens e mulheres, e fazei-os ainda buscar a santidade que vocês também almejam alcançar. Para isto, meus queridos, não se deixem levar pelas más influências, aquelas pecaminosas, que buscam a divisão da Igreja, as injustiças, o carreirismo... Vivam seus ministérios olhando ao Cristo e ao seu povo que necessita da salvação.

