Amados irmãos e amadas irmãs, minhas singelas saudações a todos vós. De modo especial, saúdo a Dom Joseph Ravassi, prefeito da Congregação para os Leigos, no nome de quem saúdo a todos os leigos e leigas presentes, que com muito esforço e dedicação, garantiram o grande sucesso desta 1a Assembleia para a inclusão dos leigos no apostolado virtual. Também saúdo a todos os sacerdotes que esta missa concelebram e todo o povo de Deus.
Hoje celebramos a festa da Divina Misericórdia, a qual esse ano completam 20 anos desde a instituição desta festividade, feita por São João Paulo II. “Desejo que a Festa da Misericórdia seja refúgio e abrigo para todas as almas, especialmente para os pecadores”, disse Jesus ao aparecer a Santa Faustina Kowalska. O que podemos tirar desta fala de nosso Senhor e a sua relação com a festa da Divina Misericórdia? A palavra misericórdia, em sua etimologia, já nos diz que devemos preparar os corações para os miseráveis. Quando nos colocamos de joelhos diante do Senhor e clamamos por sua misericórdia, pedimos que ele abra seu coração para nos acolher, porque somos miseráveis em nossos comportamentos. Em outra aparição à Santa Faustina, Jesus diz a ela: "Filha, dê-me tua miséria". Este é o grande mandamento que a Divina Misericórdia quer nos trazer: a que demos as nossas misérias ao Senhor, abramos mão de nossas faltas, nossos erros, nossos pecados e entreguemos tudo isto nas mãos de Deus, para que esvaziemos nossas almas e sejamos preparados para receber o Espírito Santo, que agora quer entrar em nosso coração. Sair do erro, sair do pecado é buscar o renascimento da alma e da plena comunhão que Nosso Senhor Jesus Cristo, vivendo a eterna aliança que ele nos prometeu com o derramamento de seu sangue, fruto do sacrifício para a salvação da humanidade.
Tomando referência das palavras do Santo Padre de nossa realidade, o Papa Francisco, domingo passado celebramos a ressurreição do mestre. Hoje, celebramos a ressurreição do discípulo. O evangelho de hoje se divide em dois grandes momentos: a primeira é a aparição do Senhor aos seus discípulos, com a exclusão de Tomé, que se atrasou para o encontro. E a segunda é a aparição do Senhor aos seus discípulos, desta vez com a presença de Tomé, que antes descrente, torna-se crente. Nesta passagem da via da luz, vemos um Deus que caminha ao seu povo, que demonstra sua fidelidade ao povo, na conservação da eterna aliança. Porém, enfrenta a incredulidade de um de seus discípulos, que foi a de Tomé. Jesus precisava ter aparecido pela segunda vez, queridos irmãos e queridas irmãs? Em uma mentalidade puramente humana, podemos responder que não... Ele não precisava. Suas chagas, como sinal de amor, já haviam sido mostradas uma vez. Não havia a necessidade de serem mostradas a segunda. Portanto, não precisava. Todavia, é aí que está o grande mistério da Divina Misericórdia. O Bom Pastor não aceita perder uma de suas ovelhas... Ele vai até ela. Ele torna a ovelha incrédula, em crédula novamente. Neste exato momento, vemos a ressurreição do discípulo. Não uma ressurreição física, mas uma ressurreição da alma. Tomé abriu mão de uma bem-aventurança, que é a de crer sem precisar ver, mas isso não o faz perder o posto de filho de Deus. E o que Deus faz é isso: vai atrás de seu povo. Ele mantém o acordo da aliança.
O dia da Divina Misericórdia nos faz um chamado para vivermos de dois modos: o primeiro é que busquemos a bem-aventurança de crermos e professarmos a fé sem que precisemos ver ao Senhor, mas apenas nos alimentar dele pelo santíssimo sacramento. E mesmo aquele que nega esta bem-aventurança, que possa um dia converter-se em seu coração e professar a fé, de forma simples, mas de forma poderosa, indagando: "MEU SENHOR E MEU DEUS". E o segundo modo de vida que devemos buscar pela divina misericórdia é a vida do resgate. Ir atrás dos perdidos e fazer com que este perdido seja um miserável que busca entregar a sua miséria ao Senhor, purificar sua alma. Não desprezemos os que pecam, mas lutemos pelo seu resgate, para que possamos ser cada vez mais conhecedores desta divina misericórdia que se manifesta pela salvação do povo de Deus.
Com isto, meus irmãos e minhas irmãs, neste encerramento da grande assembleia para a inclusão dos leigos, peçamos a graça de Deus para que nos tornemos uma Igreja cada vez mais peregrina, auxiliadora e que batalha pelo resgate de suas pedras que se soltaram da grande pedra angular, que é o Cristo ressuscitado.

