Homilia Papa Paulo IV - Encerramento do Pontificado

Amados irmãos e amadas irmãs, minhas singelas saudações a todos vós. Desde agora, agradeço a presença de todos os que aqui se fazem presentes, concelebrando a missa, rezando da assembleia, para esta celebração com a qual me despeço do trono de Pedro como papa reinante e entrego novamente ao colégio de cardeais a missão de eleger um novo Sumo Pontífice para a Santa Mãe Igreja. É um momento que interiorizo um extremo nível de importância para mim. Então, desde já, deixo meus agradecimentos aos que se fazem presentes.

Agora, voltando nossos olhos à palavra de Deus, olhemos para o evangelho que João nos narra hoje. É uma passagem na qual Jesus opera o milagre da multiplicação dos pães e peixes, fazendo com que tão pouco mantimento, sirva para alimentar uma multidão de pessoas. A especialidade desse evangelho e o foco desta passagem não se restringe ao milagre de Jesus, apenas. Devemos abrir os nossos olhos para vermos o que Jesus, de fato, nos ensina nesta narrativa. Em outra passagem evangélica, Jesus entitula-se como o Bom Pastor e ainda afirma que ele conhece suas ovelhas e suas ovelhas o conhecem. Já nesta passagem lemos, vemos Jesus mostrar-se como o Bom Pastor, seu ministério vivido na prática. Jesus se faz peregrino, caminha em meio à multidão, para ensiná-la. Ele apascenta suas ovelhas. Dois pontos se fazem muito importantes na análise deste evangelho. O primeiro, é a referência que o milagre nos faz. Ao longo do antigo testamento e também no novo, onde os evangelhos nos detalham como foi vivido o ministério de Jesus, sempre nos é falado sobre o sacrifício, a repartição do pão. Um pão que nos alimenta, não apenas fisiologicamente, mas também espiritualmente. Um pão que nos conecta ao Espírito Santo, permite que ele cresça em nosso interior. Cito, como exemplo do antigo testamento, o dia em que Melquisedeque oferece a Abraão o pão e o vinho, para que Abraão não se alimente apenas do produto físico, mas também se alimente de Deus. E ao longo novo testamento, Jesus por diversas vezes faz esta mesma ação. Ele vive em meio ao povo, é o guia do povo, o Pai do povo e por isso também o alimenta. E um outro ponto importante para igualmente olharmos neste evangelho, é o seu final. Depois de alimentada, a multidão sente mais do que nunca que aquele que os alimentara, Jesus, é mesmo aquele quem dizia ser. E ao chegarem a esta conclusão, começam a enaltecê-lo, a ponto de quererem proclamá-lo Rei. Jesus é Rei, mas não um rei terreno. O reino em que Jesus mostra sua realeza é no Reino dos céus. Em sua missão terrena, o caminho que levava ao poder mundano de nada adiantava para Jesus. Não havia esta sedência de querer sentar num trono e ser vangloriado. O caminho não era este. A única pretensão do Senhor era fazer com ele fosse aceito como o filho de Deus e testemunho de Deus também, porque Jesus falava como o Pai queria que ele falasse.

A pergunta que vos faço hoje, amados irmãos e amadas irmãs, é como viver o que o evangelho diz em nossa realidade, tanto habbiana como na vida pessoal? Irmãos e irmãs, hoje somos chamados a sermos pastores dos que desconhecem aquilo que nós sabemos, pelo nosso privilégio de termos o conhecimento das sagradas escrituras, ou seja, não nos neguemos a ser peregrinos e caminharmos em meio à multidão, como Jesus fez. A esta multidão, anunciemos a boa nova e sejamos testemunhas do Cristo. Deixemos que Jesus fale por nós. Façamos de nossos corpos apenas uma via, para que Jesus possa viver neles. Não somente isso, mas adaptemos às nossas vidas a palavra de hoje como um estimulante para que não busquemos uma ascensão pelo almejo ao poder. Jesus poderia ser o Rei coroado daquele povo? Poderia. Mas esta não é a via certa, não é assim que se anuncia a palavra de Deus. Do nosso lado mais simples e humilde é que nasce a santidade. Exploremos este nosso lado missionário, vivendo em meio à comunidade, pregando à multidão, e tornando esta multidão a fonte de conversão das outras multidões.

O Papa não é o único pontífice. Todos nós somos pontífices. Todos nós somos capazes de construir nossas pontes a Deus e levar nossos povos ao encontro Dele.