Retiro dos Bispos - Mt 6, 7-15

Amados irmãos bispos, minhas saudações a todos vós. Nos encontramos para o último dia de meditação da palavra do Senhor, onde hoje nos voltamos a trechos do livro de Mateus. Nesta III Conferência, vamos ler e entender a palavra de Mateus do capítulo 6, versículos de 7 a 15.

Nesta parte de novo testamento, Jesus nos ensina não apenas a oração do Pai Nosso, mas também o que está por trás dessa oração. Em primeiro momento, Jesus nos alerta que não oremos como os gentios, porque por estes falarem muito nas orações, pensam que serão ouvidos. Quando Jesus nos diz isso, de primeiro olhar parece que Ele está dizendo que Deus ignora seus filhos. Mas não é nesse sentido que estas palavras são ditas. O que Jesus mostra é o quanto podemos ser insensatos nas nossas orações. Algumas pessoas acabam por cair no erro de achar que apenas porque conversam com Deus, serão livres de todos os seus problemas, angústias, óbices e obrigações. Então, ao ensinar a oração do Pai Nosso e fazê-los com que a rezem constantemente, Jesus faz com que, em primeiro instante, os discípulos reconheçam o Reino de Deus, ao afirmar o Pai reside nos céus e que seu nome deve ser santificado. Em seguida, Jesus mostra que não só o Reino de Deus pertence ao Pai, mas também o Reino dos homens. O Antigo Testamento nós mostra um Senhor que cria o seu povo, cria uma terra para que ele viva e ainda faz desta terra, a Terra escolhida para receber a unção de Deus, que é Israel. Por isso, a vontade de Deus deve prevalecer acima da vontade de seus filhos, pois todas as localidades terrenas e celestes pertencem a Ele. Este reconhecimento de que tudo o que temos é advindo de Deus, estende-se ao pão, porque este pão também encomendados ao Pai. Jesus também nos faz adorar a Deus e rogarmos pela vossa misericórdia, ao pedirmos seu perdão, assim como também somos fraternos com aqueles com que erramos. Se sabemos que Deus é um Pai de misericórdia, por que não devemos ser filhos misericordiosos? Devemos perdoar aqueles que nos fazem mal, assim como também estes devem nos perdoar quando fazemos mal a eles. A misericórdia significa isso: preparar o coração para os miseráveis. Não os miseráveis de bens materiais, mas os miseráveis de alma. Se não somos capazes de perdoar, de prepararmos nossos corações para os miseráveis, então não somos dignos do céu, não podemos ser cristãos e não poderemos ser livres desta tentação que nos encaminha para o mal.

Encaminhando ao fim, irmãos, devemos ter a consciência de que Deus não é um psicólogo, para ouvir as aflições diárias. O Pai sabe de nossas aflições, sabe do que precisamos, não é necessário lembrá-lo disso. O que se faz necessário é que rezemos com a intenção de glorificá-lo, bendizê-lo. Esta é a intenção da oração do Pai Nosso. Reconhecer Deus como o Altissímo, e nós como os servos que agradecem pelo seu amor e rogam pela sua misericórdia.

Portanto, rezem com todo o amor, toda a submissão, todo o coração e se entreguem inteiramente na fé que esta oração transborda em nós.

Louvado seja o Nosso Senhor Jesus Cristo.