Amados irmãos, minhas saudações a todos vós. De modo especial, saúdo o patrono deste Santuário e prefeito da Casa Pontifícia, Monsenhor Snaif Sarto, que nos recepciona para a Santa Missa de hoje.
O Evangelho de hoje é um trecho do sermão da montanha, onde Jesus nos fala a cerca, não exclusivamente do homicídio, mas daquilo que o precede. Jesus não criminaliza apenas as vias de fato, mas também criminaliza aquilo que leva ao resultado final. Não matamos o nosso irmão somente quando tiramos a sua vida. Uma pessoa pode estar sendo morta, mesmo em plena consciência. A morte também ocorre dentro da gente, isto quando perdemos a capacidade de amar ao outro. Quando ofendemos, seja chamando de imbecil ou com outro adjetivo pejorativo, tendemos a magoar uma pessoa. Se Cristo nos desperta a felicidade em nossos corações, mantendo-nos em sua proximidade, a tristeza tem efeito contrário, fazendo com que nós nos distanciemos de Cristo e de sua Igreja. A morte espiritual é muito mais danosa do que a morte corpórea, e é para isto que a palavra de hoje nos atenta. Devemos ser humildes de coração e mansos nos nossos atos, para que nos aproximemos de Cristo junto aos irmãos e alcançemos sua semelhança. Por meio da instituição dessa Lei, o Senhor nos chama para sermos mais íntegros e menos bossais. Jesus tanto se preocupa com a nossa índole, que diz nestas palavras que é preferível acertar nossas desavenças com o nosso irmão, antes mesmo de prestar culto a Deus. Mas por que Jesus pensa assim se Deus vem antes de todas as coisas? É simples o entendimento disso. O culto ao Pai exige pureza no coração. Se não tivermos essa pureza, nossas orações não serão profundas e nossas ofertas serão inválidas. Além disso, o amor ao irmão também consiste em amar a Deus, afinal, se todos somos filhos de Deus, quando negamos ao irmão, temos negamos ao Pai, entregando almas ao lado do mal.
A qualidade virtuosa de amar ao outro, nos exige também a capacidade de perdoar, pois o amor não anula o erro. Não tão somente perdoar, mas também a capacidade de dar ao outro a oportunidade de recomeçar. O profeta Ezequiel vem nos trazer isso neste trecho de sua profecia. A justiça de Deus não consiste em condenar um filho permanentemente. Todos os pecadores, por pior que sejam os seus atos, podem se redimir, podem purificar suas almas novamente. A quaresma ela vem para isso: incentivar-nos a uma completa redenção às leis de Deus. Esta redenção nos faz dignos de assistir ao Cristo ressuscitado, nos prepara para a vivência na vida eterna.
Portanto, meus queridos irmãos, saibamos reconhecer o Cristo Jesus naquele que está diante de nós, pois o Senhor faz de cada um aqui a sua morada. Se estamos buscando briga com o irmão, também estamos buscando briga com Jesus. Na quaresma, este sentimento fraternal e acolhedor se faz cada vez mais necessário para que possamos atingir este coração livre de pecados, buscando estarmos bem preparados para a vinda do Cristo ressuscitado. Cultivem isto na cabeça daqueles que ouvem as vossas vozes e que, com a compreensão e o amor fraternal, consigamos atingir a unidade da Igreja em Cristo.
Louvado seja o Nosso Senhor Jesus Cristo!

