Homilia Papa Paulo IV - Encerramento I Retiro dos Bispos

Amados irmãos e amadas irmãs, minhas singelas saudações a todos vós. De modo especial, saúdo a Dom Raul Gabriel, o Prefeito da Congregação para os Bispos, em sua pessoa cumprimentando também a todos os epíscopos que viveram estes quatro dias de Retiro, não apenas para descansar de suas atividades diocesanas diárias, mas também como forma de meditar de maneira mais calma o que a palavra nos diz, e muitas vezes não escutamos.

A Liturgia de hoje nos traz um trecho do livro de Ester. Rainha, mulher, judia, portanto adoradora do Deus de Israel, porém que vivia em meio ao povo persa, reinando sobre eles, vivendo em sua cultura e sob as leis de deuses pagãos. Neste fragmento da história cristã-judaica, vemos um ponto essencial para que a promessa de Deus pudesse se cumprir. Vemos que Ester não se vangloria, como forma de demonstrar sua tristeza, e humilha-se em sua aparência para falar com Deus. Naquele tempo, o povo judeu estava sob o custódia dos persas, mas não somente isso... Um decreto de Hamã também vigorava, onde condenava todos eles à morte. Ester, sapiente da palavra dos profetas, sabia que a este povo condenado à morte, a promessa de Deus não era um extermínio em vão, mas sim acolher o Deus conosco, pois o povo de Israel foi o povo escolhido pelo Pai. Irmãos e irmãs, a frase que trouxe como lema para este pontificado expressa bem o sentido desta leitura: Deus age pelo seu povo. A Rainha Ester faz um apelo de misericórdia ao Pai, pedindo perdão por todos os seus pecados, pela renúncia de sua fé. Sua oração tem poder porque não tem materialismo, mas tem o interesse pela salvação de um povo que posteriormente teria Jesus Cristo como seu Rei e Salvador. E por isso, Deus ouve o clamor de sua filha. Dá forças para que ela rompa com o patriarcado, adentre ao salão real e exija do Rei a piedade ao povo hebreu, que a concede, tornando possível o cumprimento das promessas dos profetas de Deus, que anunciavam a importância de nos prepararmos para a vinda do libertador.

Na conclusão da liturgia da palavra, temos o Evangelho de Jesus, narrado por São Mateus, o Senhor vem para estabelecer uma norma de conduta que temos nos dias de hoje como base para alicerçar as relações humanas: "Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles". Ao instituir este mandamento, o Senhor nos chama a renunciar à hipocrisia. Temos tanta facilidade para errar e pedir perdão, mas uma tremenda dificuldade para perdoar os que erram conosco. Temos tanta facilidade para exigirmos dos outros as práticas de princípios morais, mas tanta dificuldade de implantarmos estes princípios morais em nós mesmos. A autonomia da vontade de um filho de Deus deve manifestar-se apenas para concretizar atos de bem, de caridade, na construção de uma sociedade mais fraterna e que viva de verdade a mensagem que o Senhor nos manda viver no evangelho de hoje.

Portanto, irmãos e irmãs, exorto a todos a importância de vivermos uma fé corajosa como a de Ester, como já nos dizia Dom Paulo Evaristo Arns, porque um povo que não vive uma fé corajosa, não tem dignidade para assistir ao Cristo vivo, enquanto deixamos de lado nossos atos hipócritas e imorais, que vão de encontro à Lei de Deus.

ASSIM SEJA! Amém.