Amados irmãos e amadas irmãs, minhas saudações a todos vós. De modo especial, saúdo ao Padre Iago Alves, pároco desta Igreja, em nome de toda a comitiva que organiza a missa da Alvorada de todo o início de dia, que vem desenvolvendo este trabalho tão bonito.
Na primeira leitura de hoje, extraída do Êxodo, vemos uma passagem posterior à libertação do povo hebreu que outrora se encontrava aprisionado no Egito. Moisés, como o cabeça e enviado de Deus nesta missão, mesmo depois de ter comprovado sua luz que resplandecia ao povo pelo Espírito Santo de Deus, continuava a sofrer com os questionamentos, com as dúvidas do povo quanto à real finalidade da missão de Moisés. Porém, Moisés não se reclusa ao Senhor. Ele faz o que o salmista nos ordena: ele não fecha o seu coração, mas ouve a voz do Senhor. Para que cessassem os questionamentos, Deus intercede por mais uma vez, dando água ao seu povo que passava a sede. Irmãos e irmãs, a comparação com a postura dos hebreus e a postura que muitos assumem até os dias de hoje se faz muito similar. Deus derrama graças diárias em nossas vidas e nos faz a promessa de vivermos num reino ainda maior e Santo. Ainda assim, fazemos questionamentos, vamos de encontro às suas leis por diversas vezes, duvidando até mesmo de sua bondade. Vemos neste tempo, em que um vírus toma conta dos noticiários mundiais. Há aqueles que se utilizam desta enfermidade, para argumentar contra o amor de Deus por nós e até mesmo de sua existência. Todavia, lembremos o que diz o Senhor, irmãos: "Eu afastarei de teu meio as enfermidades" (Ex 23, 25b).
Na segunda leitura, na carta de São Paulo ao povo romano, vemos a forma que o apóstolo nos explica o amor que o Senhor tem por nós. Jesus desenvolveu sua missão sabendo que receberia de volta muita ingratidão dos homens da lei. Todavia, não atenuou sua missão pelas ameaças oferecidas pelo mundo, mas a fortificou. Quanto mais buscam o oprimir, mais ele anunciava a palavra de Deus aos povos, até sua condenação à morte de cruz. Este fato, irmãos e irmãs, como diz São Paulo, nos comprova o amor que Deus tem por nós. O Senhor não seleciona a quem ama, nem a quem faz o bem, mas distribui o dom de seu amor a todos, para que estes busquem o caminho de sua verdade. Este amor, que vem da caridade com que Jesus acalentou seus irmãos, nos faz ainda mais virtuosos com o nascimento de nossa esperança. Por esta esperança, este aguardo pela vida no reino de Deus, podemos nos renovar e buscar a cada dia mais a semelhança com a perfeição divina.
Na conclusão da liturgia da palavra, temos o Evangelho narrado por São João, onde é narrado o encontro de Jesus com a samaritana. Este evangelho vem nos trazer a etapa para a conversão, que é vivido pela samaritana: o preconceito, o conhecimento, a renovação e, por fim, o anúncio. Nós, filho da Igreja que vivemos a vida para o anúncio do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, nos deparamos com incontáveis casos de pessoas que necessitam ser catequizadas, pois isto faz parte de nossa missão enquanto católicos. O primeiro comportamento de alguém que precisa ser convertido, é o preconceito. Não creem nem respeitam a missão ao qual somos destinados ao cumprir. Todavia, quando sabemos iniciar nosso trabalho com mansidão e pastorialidade, conseguimos penhetrar este "Campo de força" criado pelo preconceito. Quando fazemos isso, passamos à etapa de apresentarmos o reino para o irmão. O catecismo da Igreja e a palavra de Deus é a "água-viva" que devemos usar para banhar aqueles que aguardam pelo o que temos a dizer. Quando as pessoas se deixam banhar por esta água, elas se renovam, pois são inundadas pelo Espírito Santo de Deus. E posteriormente à renovação, chega o momento do anúncio, onde o convertido dá o seu testemunho aos outros, levando-os à conversão também. No Evangelho de hoje, Jesus percorre por este caminho junto à samaritana. E graças a ele, em seu papel incansável de bom pastor, e à samaritana, que abriu-se para a conversão, outros puderam alcançar a honra e glória de estabelecer morada no Reino de Deus.
Portanto, queridos irmãos e queridas irmãs, exorto a todos a vivência regada em confiança no amor que Deus tem por nós e numa missão evangelizadora que nasce pela nossa vocação sacerdotal. Vivamos para a conversão daqueles que necessitam de uma catequese profunda e conciliação com o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo.
ASSIM SEJA! Amém.

