Homilia Papa Paulo IV - VII Domingo do Tempo Comum

Amados irmãos e amadas irmãs, minhas singelas saudações a todos vós. Hoje nos reunimos em comunidade, para juntos celebrarmos o VII e último domingo deste Tempo Comum. Nosso Senhor caminha em direção à Terra escolhida por Deus Pai, para que lá finde com sua missão e estabeleça entre nós a verdade do Reino de Deus, com a sua morte de cruz. E nestes últimos domingos, vemos um apelo litúrgico ainda mais intensificado sobre a caridade fraterna que devemos ter por aquele irmão que se encontra perdido ou vindo de encontro com os mandamentos do Senhor.

"Bendize, ó minh’alma, ao Senhor, pois ele é bondoso e compassivo!" É isto o que o salmo responsorial de hoje vem nos dizer: o Senhor é bondoso, ele é compassivo, isto porque ele ama teus filhos e está disposto a perdoá-los pelas tuas faltas, pelos teus pecados. E vemos isto bem refletido na primeira leitura, extraída do Livro do Levítico, quando o Senhor apela a Moisés que abdiquemos de todo o ódio, todo o rancor. Sentimentos estes que são diabólicos e só servem para consumir toda a bondade em nossos corações. Devemos, sim, repreender aqueles que se distanciam do rebanho. Mas devemos repreender com zelo, com amor, com fraternidade, e não com julgamentos ferozes, que abrem feridas, que muitas vezes são difíceis de cicatrizar no coração dos irmãos. Se assim fizermos, estaremos na estrada da santidade, buscando a salvação de nossas almas. Isto porque o Senhor é amoroso, ele é piedoso. E se esta imagem buscarmos, estaremos formando a nossa semelhança com o Senhor perfeito.

Na segunda leitura, extraída da primeira carta de São Paulo aos Coríntios, vemos a advertência do Apóstolo a todos os seus leitores: vós sois o santuário de Deus. E qual é a relevância desta informação para nós? Enquanto santuário de Deus, também somos o templo do Senhor e os filhos de Deus. Os mundanos que buscam o refúgio e o acalento da palavra de Deus, fazem isto aos filhos do Pai celeste, ou seja, nós mesmos. Por isso, a sabedoria que devemos usar em sermão é aquela que o Senhor partilha conosco por meio de sua palavra santa. Se assim o fizermos, estaremos admitindo a nossa insensatez e glorificando aos dizeres de Deus. Não somos dignos de julgarmos com severidade a um irmão, porque não somos sábios o suficiente para tal. Todavia, o espírito da fraternidade, junto com a sabedoria de Deus, é o que temos que exalar para cumprirmos com o desempenho correto de sermos o templo de Deus.

E na conclusão da liturgia diária, temos o evangelho de Jesus Cristo, narrado por São Mateus, onde vemos, por meio de antíteses, o caminho que o Mestre nos mostra para que cheguemos à semelhança de Deus, à perfeição do Pai. Em primeiro momento, vemos a citação da famosa Lei de Talião, que se transformou num ditado popular: "Olho por olho, dente por dente". Depois ainda complementa com o ditado "Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo". Ambos são ditados que incitam o ódio, o desvencilhamento das relações humanas de fraternais e fazem cair por terra os ensinamentos do Senhor trazidos pelos profetas, que retratam um Deus bondoso, amoroso, que perdoa e salva seus filhos. Se deixarmos nos corromper por estas visões de guerra, matamos nossa alma cristã e nos distanciamos da imagem do Deus perfeito, de amor. Para isto, às ofensas devemos responder com sacrifício, pois este também é o martírio. Seja por morte ou não. Jesus aceitou o destino de seu sacrifício na cruz, pois esta era a vontade de Deus. Cumprindo com sua palavra, jamais buscou a vingança contra aqueles que o mataram, mas pelo contrário, rezou por eles.

Queridos irmãos e queridas irmãs, neste tempo quaresmal que se faz próximo, interiorizem com intensidade as palavras da liturgia de hoje, pois elas são essenciais para que vivamos a quaresma de maneira correta. Não nos agarremos a sentimentos pecaminosos, como o da vingança, o do rancor, o da raiva, o da ira, mas nos apeguemos a sentimentos que nos faz mais semelhantes ao Senhor, como o amor, a fraternidade, a compaixão, o zelo e a caridade. Exorto a vós que paguem o bem com o bem, e o mal com mais bem ainda.

Que pela intercessão de Nossa Senhora do Monte Carmelo, sejamos dignos de alcançarmos a santidade pelos nossos atos semelhantes aos de Nosso Senhor Jesus Cristo.

ASSIM SEJA! Amém.