Homilia Papa Paulo IV - Dedicação do Santo Sepulcro

Amados irmãos e amadas irmãs presentes, saúdo a todos e todas vós com muita estima. Em especial, cumprimento o administrador da nova Basílica do Santo Sepulcro, Dom Daniel Paulo Stramantino, que no primeiro sia deste pontificado comunicou a mim que estenderia o reinado da Igreja ao Oriente, com a construção do templo em que Nosso Senhor ressuscita a cada eucaristia, para salvar ao seu povo.

A primeira leitura que vimos, retirada do Livro de Neemias, nos mostra as primeiras reuniões em comunidade, onde o povo todo se sentava, para juntos glorificarem a palavra do Senhor. Esta é a verdadeira tradição que a Igreja preserva e ainda preservará pelos séculos dos séculos. Assim como os pioneiros judaicos da época se reuniam para ler, trazer a mensagem e seguir a palavra de Deus, hoje a Igreja nos manda seguir os velhos costumes que Neemias nos relata. Onde, em unidade, sentamos e ouvimos a palavra de Deus pela boca de seus filhos. E vejam como na época as pessoas emocionavam-se em ouvir o que Deus tinha a dizer... Se todo este sentimento é aflorado, é o mais claro sinal de que o Espírito Santo de Deus toca em nossos corações quando voltamos nossa atenção ao que nosso Senhor quer dizer. A contemplação dos dizeres divinos é uma obrigação que devemos tomar para nossa vida, não por coação, mas por amor ao conhecimento da história da humanidade e como o Senhor anuncia o Reino que almejamos chegar, colocando em prática os ensinamentos que purificam e santificam as nossas almas.

Na segunda leitura, um trecho da carta de São Paulo aos Romanos, onde vemos o anúncio pascal do Apóstolo dos gentios ao povo. Ninguém tem mais poder sobre o Cristo ressuscitado, ao qual parafraseio, traduzindo este dizer de Paulo como o reconhecimento da onipotência de Nosso Senhor Jesus Cristo. Paulo nos afirma e ratifica isto porque sabe que o Cristo ressuscitado não apenas voltou à vida na Terra, mas também venceu a morte. Ele desceu à mansão dos mortos para derrotar o diabo e depois mostrar aos seus filhos que a ressurreição é real para Deus, e nela encontramos o Reino dos céus. Por isso, irmãos e irmãs, somos batizados para uma vivência em comunhão com Deus, para que Este nos dê a força para vencermos o pecado e às artimanhas demoníacas, e passemos de nossa vida em Terra, para uma uma vida na morada do Senhor.

E na conclusão da liturgia da palavra, temos o Evangelho narrado por São Mateus, onde o Senhor cumpre com a sua promessa e triunfa sobre a morte e se prepara a sua ascensão gloriosa. Movidas pelos Espírito Santo, as Marias pisam sobre esta terra que hoje, o sepulcro de Jesus, onde encontram o anjo do Senhor, que as prepara para a ressurreição do Salvador. E, ao se depararem com Jesus, a graça de sua imagem era tão avassaladora, que se prostraram aos seus pés, em posição de adoração, como devemos todo dia ao vermos o Cristo imolado no pão, e deram graças a Deus. Todavia, a volta de Jesus não indicava o fim dos tempos, mas o início de uma era onde todos deveriam comprovar a existência de um Deus muito maior do que somos, muito mais sábio do que nós, e que nos chama a anunciar a sua aparição gloriosa: "Não tenhas medo! Ide anunciar aos meus irmãos que se dirijam para a Galileia. Lá eles me verão". É o Jesus ordena às Marias que o adoravam. Esta fala de Nosso Senhor nos explicita o modo em que devemos viver a verdade de sua palavra e de sua ressurreição. Uma vida de anúncio, onde nos dirigimos aos nossos irmãos e proclamamos a eles: "CRISTO RESSUSCITOU! ALELUIA!". Mas apenas uma vida de anúncio, mas também uma vida onde buscamos constantemente o encontro com o Senhor. A vida que vivemos na Terra nos prepara para a vida que viveremos no Reino de Deus. Se aqui na Terra não nos preparamos para esse encontro com o Cristo ressuscitado, não lemos de sua palavra, não vencemos a morte com a renúncia aos nossos pecados e arapulcas do demônio, então como será possível adentrarmos o Reino de Deus?

Queridos irmãos e queridas irmãs, a Basílica do Santo Sepulcro tem uma finalidade muito clara para nós. A Páscoa de Jesus, apesar de celebrada apenas uma vez nos calendários ordinários, deve ser mantida diariamente VIVA em nossos corações. A cada passagem evangélica que lemos, independentemente do tempo em que se estuda, devemos ter a consciência de que tudo se trata do caminho do Senhor à Terra Prometida de Jerusalém, onde ele findará sua missão, vencerá o pecado, vencerá o demônio e instituirá o Reino de Deus, alcançado pela fé correta adquirida em sua Igreja.

Portanto, amados irmãos e amadas irmãs, sempre que neste templo entrarmos, dialoguemos, interiormente, de modo muito intenso com Deus. Pois aqui, iniciou-se o processo da salvação. A ressurreição de um Cristo mais poderoso do que nunca. E que usa deste poder para salvar os filhos que o adoram, como as Marias.

Que pela intercessão de todos os santos e santas que contemplaram o Senhor ressuscitado, sejamos livres de todo o pecado e cada vez mais fiéis e adoradores do verbo e da ação de Deus, enquanto vivemos esperançosos para a salvação do novo Cristo Salvador que há de vir.

ASSIM SEJA! Amém.