Homilia Papa Paulo IV - Visita à Fátima

Amados irmãos e amadas irmãs, minhas singelas saudações a todos vós que se fazem presentes nesta celebração em comunidade. De modo especial, saúdo o Cardeal reitor desta Basílica dedicada à Mãe de Fátima, à Mãe dos Pastorinhos, Dom Raul Gabriel, que nos acolhe com muita hospitalidade para celebrarmos juntos a memória do sacrifício e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, em ação de graças aos sexto mês de gestão de Dom Raul Gabriel a frente da Congregação para os Bispos.

A primeira leitura de hoje nos mostra um dos primeiros grandes pecados narrados de Davi, por Samuel, onde nos fica evidenciada uma vaidade emanada de Davi. Nesta passagem, vemos o encontro de Betsabé, esposa de Urias, sendo cobiçada e consumada por Davi, que usando de sua realeza, poderia ter o que quisesse. E, na conclusão desta leitura, vemos Davi articulando para tirar Urias de seu caminho, o colocando para morrer na linha de frente de uma batalha. Com isto, vimos uma vaidade e soberba que não conhecíamos em Davi. Por interesse pessoal, ele destrói a vida de um homem para ter a sua mulher. Anteriormente, víamos um Davi de muitas virtudes comparado a um Saul "cheio de si". E nesta passagem, já víamos um Davi que começava a se aproximar do caráter de Saul. Todavia, posteriormente a esta passagem, Davi mostra a sua verdadeira virtude: o arrependimento. Ele pede perdão ao Senhor por seus atos, por sua cobiça, e este clamor por misericórdia é mostrado no responsorial que ouvimos. Davi clama a misericórdia, porque ele sabe que é um pecador! Deus não nos perdoa porque pecamos, mas perdoa porque nós reconhecemos que somos pecadores. E que sejamos como Davi: apesar de nossas faltas, nosso erros, nossos pensamentos impuros, saibamos ser submissos e suplicantes da misericórdia divina.

E pelas palavras do Evangelho de Marcos, vemos a grande didática de Nosso Senhor para com os seus discípulos. Por meio de parábolas, Jesus reduzia a complexidade do entendimento do que era a fé em Deus e como isso nos levaria à morada eterna do reino dos céus. Jesus é o verdadeiro sumo sacerdote e doutor irrefutável da fé, pois por meio de suas palavras, provérbios e metáforas, distingue aos seus discípulos os hábitos condizentes com os preceitos de Deus e os que não condizem. O Mestre nos mostra por meio de suas palavras que a tendência do reino de Deus é o crescimento, porque cada ato de evangelização que tivermos no semeio da palavra da salvação em nossa vida missionária, florescerá e levará almas para o encontro de Deus na vida eterna.

Hoje, celebramos a memória litúrgica de São João Bosco, sacerdote e educador da Santa Igreja. Por meio de sua didática, buscou a semelhança com Jesus Cristo na disseminação da palavra de Deus, levando muitos à conversão com o seu testemunho de vida e fidelidade ao Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Com o exemplo de São João Bosco, chegamos à conclusão de que a vida missionária, a valorização de uma educação de qualidade e santa, nos leva à glória dos altares, ao alcance da santidade, que era a única ambição desde santo que tanto contribuiu para a Igreja.

Portanto, queridos filhos e queridas filhas, inspirados pelo Espírito Santo de Deus e pela intercessão de São João Bosco, reconheçamos ser pecadores, como fez Davi, buscando sempre a mais perfeita aliança com nosso Pai celeste, assumindo a nós e a Ele que somos pecadores e que a tua palavra recorremos, em busca da purificação de nossas almas, e sigamos o exemplo de São João Bosco, na entrega da pela vida missionária e na educação da juventude de todos os povos.

ASSIM SEJA! Amém.