Amados irmãos, amadas irmãs, todo o povo de Deus, minhas afetuosas saudações e que alegria poder estar reunido convosco, em comunidade, na casa da Mãe Aparecida, para juntos celebrarmos a Santa Missa em ação de graças ao sexto mês de arcebíspado de nosso amado amigo, Dom Magnus Lion, que há exatos 6 meses recebia das mãos de meu venerável antecessor, o Papa Bento IV, a missão de apascentar o rebanho aparecidense do Senhor.
E a primeira leitura de hoje, extraída do Livro de Samuel, vem nos falar exatamente sobre isso: o recebimento de uma missão. Vemos o encontro de Samuel com Saul, o mais belo dos filhos de Cis, onde neste encontro é entregue a missão de Saul ser o rei do povo de Israel, este trono sagrado que posteriormente é ocupado por Nosso Senhor, o Rei de Israel e de todos os reinos. De muita prontidão, pelas bençãos concedidas pelos óleos Santos derramados por Samuel, Saul aceita a missão que Deus o encarregou. E o que isto quer dizer para nós? Que Deus possui planos para as nossas vidas, pois teu jugo é leve, então Ele nos auxilia na caminhada diária, para que munidos da oração, possamos sempre trilhar o caminho correto segundo a vontade de Deus, pelo bem do povo que está próximo de nós.
Já nas sagradas letras do Evangelho do Senhor, exposto por São Marcos, tornamos a ver a figura do Sumo Sacerdote como um Padre do povo. Caminha entre os fracos, entre os pobres, os oprimidos... Mas principalmente, ele caminha entre os PECADORES. Quando questionado pelos escribas, do partido dos fariseus, Jesus os responde com todo o seu característico zhelo pastoral. O Senhor apresenta-se como o Sacerdote da Alma. Ele vem para ser o remédio curador das almas pecaminosas, fazendo dessas almas, agora almas purificadas, preparadas para serem santificadas. De adiantaria o nosso ofício apostólico, se não fosse para interceder por aqueles que de fato precisam de nós? Nós não temos que salvar os que já estão salvos! Nós temos que salvar os que trilham o caminho longe de Deus, o caminho da infelicidade eterna!
Hoje, celebramos esta marca rara de um arcebispado. Assim como um pontificado inteiro, os arcebispados habbianos tendem a durar cerca de 2 ou 3 meses... Mas Dom Magnus Lion veio para quebrar tabus. Apresentou-se diante do povo de Aparecida há 6 meses, sendo empossado desta Sé metropolitana por mim, na época Cardeal Núncio apostólico do Brasil, onde se mostrou como um cardeal humilde. Um cardeal que aceitou a missão que Deus deu a ele, assim como Saul aceitou. Um cardeal que se fez sacerdote do povo, missionário pelas almas em conflito com Deus, assim como fez Jesus. Lembro-me que naquela época, foi muito debatido a cerca desta nomeação. Dom Magnus, ordenado em maio de 2019, um sacerdote jovem, sem muita experiência, viu cair diante de seus olhos a missão de reerguer uma arquidiocese que estava padecendo. Porém, perseverou. Lutou contra as adversidades, uniu-se ao seu clero Arquidiocesano, ao seu povo, e foi de cabeça na missão. Fez-se um verdadeiro sucessor dos Apóstolos no uso de seu múnus episcopal.
Muito me orgulha dizer que vi você crescer no seminário geral de Roma, quando eu era Reitor e seu formador. Te ordenei diácono, te ordenei padre, vi você calar a boca daqueles que diziam que um arcebispo "novinho" não dava certo. Eu tenho muito prazer em trabalhar com você, meu caro amigo e irmão. E rezo por ti, rezo por esta arquidiocese, e que continuem a traçar este lindo caminho, cada vez mais próspero.
Assim seja!

