Homilia Dom Vito Lavezzo - Missa com o SCE

Beatíssimo Padre, Papa Bento,
sendo a cabeça do Sacro Colégio Apostólico ao qual esta missa é celebrada em intenção, saúdo em seu nome todos os sucessores dos apóstolos aqui presentes, bem como estendo esta saudação aos demais presentes, clero e povo de Deus.

Hoje celebramos a memória de São Domingos de Gusmão, fundador da Ordem dos Pregadores, família religiosa esta com propostas únicas para a evangelização, segundo o carisma de seu fundador que, a modelo de tantos outros santos, nasce de uma família rica, poderosa, tem todas as condições do mundo para cair em uma vida de libherthinaghem, porém escolhe ouvir o chamado do Senhor para viver a vocação. Que mês oportuno este para falar de vocação. São Domingos tinha vocação para ouvir a Deus e para salvar almas. Uma verdadeira pré-disposição para abandonar seus privilégios e se entregar a uma vida dedicada somente a Deus e a seus preceitos, missão esta que nós também assumimos enquanto bispos e missionários da Igreja. Enquanto pastores, assumimos este dever, que também é uma vocação, de evangelizar. E sobre esta perspectiva é que quero adentrar a dinâmica do evangelho de hoje, que trata tanto da vocação como também da obrigação.

Como já dito, estamos vivendo um mês oportuno para falar sobre vocações. E nesta semana recordamos a vocação matrimonial ou familiar. A vocação de constituir uma nova família para Cristo. E neste sentido, o início do evangelho da liturgia de hoje nos introduz a um contexto muito salutar: a família de Cristo são os seus discípulos. À sua família, o Senhor tudo confia e compartilha o prognóstico do futuro. Com sua família o Senhor abre a sua dor em saber que será entregue como cordeiro imolado, carregando todo o pecado do mundo. E com sua família ele também compartilha a alegria que será vencer a morte e retornar para redimir todas as almas. A família é a primeira instituição com quem podemos contar, com quem podemos nos debruçar e derramar nossas angústias e alegrias. Hoje, nós como Igreja precisamos também ser uma familia. Uma família de discípulos, que confiam uns nos outros para darem prosseguimento ao propósito evangelizador.

Já sobre o aspecto das obrigações, vemos o desenrolar da narrativa em que o Senhor e Pedro são intimados a pagarem impostos, ao que Jesus chama de "estranhos". Estranhos porque não lhes é justo cobrar aqueles abusivos impostos, principalmente das pessoas que frequentavam aquele templo, que em sua maioria eram phobres e desafortunados, muitos até mesmo doentes que socorriam ao templo como forma de se refugiar na fé e rogar a Deus por uma cura. Aqueles estranhos se aproveitavam dos phobres para poder enriquecer imoralmente. Contudo, nem por isso o Senhor se recusa a pagar. Pelo contrário. Ele pede que Pedro vá até o mar. E aqui o mar tem um sentido muito interessante. Pedro era um pescador, logo, o mar era seu sustento, de onde ele tirava o seu alimento. Jesus pede que Pedro pegue de lá as moedas que pagariam os impostos, ou seja, aquele imposto simboliza todo o abuso dos "estranhos", que queriam apenas sugar os frutos do trabalho dos mais desfavorecidos. Todavia, reitera-se, o Senhor não se isenta de suas obrigações, mesmo sabendo que elas não são justas. Isso demonstra uma resiliência muito grande por parte do Senhor e é neste ponto que acredito ser importante falar neste momento.

Ao longo de nossa trajetória, deparamo-nos diversas vezes com situações injustas. Muitas dessas situações emanam até mesmo do Estado. Porém, não podemos deixar de zelar pelas nossas obrigações e contribuir para a evolução da sociedade civil, sem com isso, claro, deixar de batalhar democraticamente e pacificamente por mudanças que tornem mais justas as condições daqueles que são menos privilegiados, para que as cobranças pesadas sejam feitas apenas contra aqueles que têm condições de arcar com elas.

E não são apenas essas as obrigações que temos. Voltando à seara da evangelização, enquanto bispos somos obrigados a contribuir para o avanço da Igreja, para que ela seja cada vez maior e possa alcançar um número igualmente superior de pessoas. Todavia, é muito importante que esta obrigação seja executada não pelo simples fato de ser dever, mas porque amamos fazer isto. Aqui recordo a catequese do Papa Bento feita na Jornada Sacerdotal da última semana: nossos deveres devem sustentados pelos pilares do GOSTO, da AMIZADE e da VONTADE. Precisamos estar aqui, fazer o que fazemos e também com quem fazemos, sempre lembrando do PORQUÊ fazemos. 

Que pela intercessão de São Domingos, tenhamos nosso instinto evangelizador sempre renovado, para que jamais desanimemos e estejamos sempre aptos a atender aqueles que necessitam de nosso socorro.