Homilia Dom Vito Alberti Lavezzo - Ordenação Presbiteral

Amados irmãos e amadas irmãs, minhas singelas saudações a todos vós que estão presentes nesta reunião em comunidade, para juntos celebrarmos o sacrifício do Senhor com a ordenação sacerdotal de mais um sacerdote para a Santa Igreja. Saúdo de maneira especial nosso arcebispo e pastor, Dom Raul Alberti Cardeal Damasceno, meu tio, em nome de todo os concelebrantes desta província e também dos que nos visitam, como também saúdo nosso eleito, Diácono Rafael Joshua, que por tanto estudo e aprimoramento da fé passou até chegar o grande dia de sua ordenação. Este é um momento de muita alegria, pois quando a Igreja ganha um novo padre, é sinal de que mais cantos do mundo poderão receber as palavras de um sacerdote, aqueles que interagem diretamente com o povo pela conversão das almas, que dão continuidade ao ministério instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo e entregue aos apóstolos eleitos para perpetuarem a palavra da salvação.

A liturgia de hoje vem nos falar sobre a missão que devemos executar ao longo de nossa vida terrena, como sacerdotes, seja no ministério ordenado ou no ministério laical, e servos do Senhor.

A primeira leitura de hoje é um testemunho que o profeta Isaías tem a fazer para nós. Suas palavras nos relatam o chamado do Senhor para a vivência desta missão de anunciar o Reino de Deus pelos cantos da Terra. Esta brasa quente que o serafim leva a Isaías, é a presença do Espírito Santo, aquele que ontem celebramos a sua incendiante descida, que vem para nos tocar, nos acordar para que enxerguemos a vida que, de fato, devemos viver, que é uma vida de total entrega aos preceitos do Senhor. Uma brasa que queima na alma e renova a face dos filhos de Deus, fazendo-os criarem força para reinventarem uma vida em comunhão com seus mandamentos. Quando deixamos que esta brasa do Espírito Santo acenda sua luz sobre nós, abandonamos toda a perdição, citada no início da leitura e nos tornamos solícitos para que o Senhor viva dentro de nós.

Na segunda leitura, São Paulo pontua detalhes indispensáveis e essenciais para a postura correta de um bom sacerdote que vive a completude de seu ministério ordinário. O padre deve ser um agente da paz. Nós, sacerdotes do Senhor, o sacerdócio régio comum do batismo, apontado na Carta Encíclica de Sua Santidade, o Papa João Paulo VII, somos aqueles que devem combater a divisão. Todos nós, povo cristão, somos membros de um único corpo. Várias pequenas pedras que se sobrepõem a uma pedra primitiva e angular, que é Nosso Senhor Jesus Cristo. A esta pedra, todos somos incorporados e chamados a beber de um único Espírito Santo, que nos une, nos faz um só corpo e um só espírito. Portanto, errôneo éo sacerdote das ideologias, o sacerdote que se vende no templo do comércio e se recusa a uma vida no templo do Senhor. Em suma, o apóstolo Paulo nos ordena a sermos partes de um corpo uno e que, em uma missão conjunta, perpetua a memória do Senhor Jesus.

E na conclusão da liturgia da Palavra, o Evangelho de São Marcos nos mostra a entrega desta missão apostólica das mãos de Jesus para as mãos daqueles que irão o suceder após a sua ascensão, os apóstolos. Jesus mostra aos apóstolos que a única de atingirmos a completude de nossa vida, é tomando o Senhor como o seu Pastor e testemunha da verdade de Deus Pai. Ao fazermos isso, somos capazes de amar aqueles que chamamos de irmãos e irmãs. Isto porque o amor emana de Deus. Não podemos amar ninguém se não amarmos a Deus antes de todas as coisas. Por isso, o Senhor nos deixa um novo mandamento: devemos amar uns aos outros, assim como o Senhor nos ama. Este amor emanado de Nosso Senhor que floresce em nós, quando tomamos Ele como o nosso Deus, nos permite desenvolver a fé, a caridade, a esperança, a humildade, a obediência, entre outras virtudes cristãs, que nos permitem sermos filhos aptos ao estabelecimento da morada no Reino de nosso Pai Celeste.

Hoje tu, amados filho Rafael Joshua, é o escolhido, por ação do Espírito Santo, para portar o seu múnus sacerdotal. Durante o exercício de vosso ministério, tenha em mente as virtudes cristãs que deve exercer, além de levá-las também aos que estão perdidos, sem sentir o calor da brasa do Espírito Santo de Deus. Nunca deve esquecer do mandamento de amar aos teus irmãos e às tuas irmãs em Cristo, pois todos nós somos aqueles que buscamos entrar no Reino de Deus e, somente amando, terão a certeza de que o Senhor habita em ti e escolhe a você como seu amigo. Jamais tome para si o pensamento do carreirismo, pois este é baseado unicamente em méritos. Na Igreja, os escolhidos são os que se preparam para o pastoreio do Senhor, buscando a sua semelhança, além de serem aqueles que devem exibir exemplo de boa conduta, na intenção de difundir a boa fé em Nosso Senhor Jesus Cristo.

A ti, amado irmão Rafael, os meus votos de bom exercício do ministério sacerdotal, na entrega à vivência deste ministério, visto sua extrema importância, jamais deixando de olhar pelos mais pobres e necessitados, e trabalhando sempre pelas vocações sacerdotais.

Que Deus continue a te abençoar, mantendo sempre acesa a chama do dom do Espírito Santo.

ASSIM SEJA! Amém.