Homilia Dom Vito Alberti Cardeal Lavezzo - Solenidade de Pedro e Paulo

Amados irmãos e amadas irmãs, minhas singelas saudações a todos vós. Hoje celebramos esta sagrada eucaristia na solenidade dos apóstolos Pedro e Paulo, os grandes pilares da Igreja Romana. Juntos, com suas diferenças, estes dois apóstolos dão início ao que hoje chamamos de Igreja de Cristo. Cada um dos dois tinham suas peculiaridades.

Pedro era o sacerdote da edificação, nosso primeiro Papa, como podemos ver pelo evangelho da liturgia de hoje. Pelas mãos de Cristo, Pedro é instituído como o construtor da ponte. Ele liga a terra dos homens ao Reino de Deus, tudo porque demonstrou saber que Jesus Cristo é o Messias, filho de Deus. A fé de Pedro é o que nos faz entender o porquê da escolha de Jesus. Pedro é o mais durão dentre os apóstolos, mas ele não tem apenas esta força, mas também tem a força da crença e na fé que o Pai sempre o libertará. Vejamos o que o salmista nos diz hoje: "De todos os temores me livrou o Senhor". Este salmo responde muito bem o que vemos na primeira leitura, dos atos dos apóstolos, onde o foco da trama recai sobre Pedro. Este já aguardava pelo martírio, principalmente depois de testemunhar o martírio de seu irmão de missão, o apóstolo Tiago, morto pela espada. Mesmo diante da morte, Pedro não a teme, pois sabe que martírio é a glória do homem aos olhos de Deus. Não há nada mais nobre que derrubar o sangue pelo anúncio da boa nova de Jesus Cristo. Afinal, a perseguição dos judeus era o cumprimento de uma promessa de Cristo, quando reunido aos apóstolos, disse que todos ali seriam perseguidos por anunciarem a verdade de Deus. Assim mesmo, Pedro persiste, e a Igreja orante não o abandona, porque Pedro é o pastor e confirmava-os na fé, assim como até hoje nos confirma na fé. Seu único temor era não anunciar mais a palavra de Deus, não estender mais a sua missão de pastor daquele rebanho. Mas o Senhor o livrou deste temor e o permitiu prosseguir com a missão da edificação da Igreja, que até hoje se faz de pé e perpetuará.

Já Paulo, é o apóstolo dos gentios. De todos os apóstolos, é difícil encontrar um com um poder pastoral tão forte. Paulo caminha pelas ruas, evangeliza com seu povo, é o tipo de sacerdote que precisamos para os atuais tempos: sacerdotes em saída, que incentivem uma Igreja em saída. Paulo não esperava que as ovelhas viessem até ele, mas ele ia até suas ovelhas. Um verdadeiro pastor. Suas palavras possuem um poder forte de conversão pela forma aberta e esclarecedora que exprimia fé. Este é outro ponto que precisamos: um sacerdote que fala a língua de seu povo. E por último, um outro ponto de Paulo que vemos bem expresso nesta segunda leitura, em sua carta a Timóteo, é a extrema crença na libertação, ao qual se assemelha muito de Pedro. Em suas palavras, vemos o quão ele aguarda ansiosamente a vida eterna que o martírio lhe proporcionará. Mas diferente de Pedro, que na primeira leitura não havia ainda terminado sua missão, Paulo já havia terminado a sua e tinha a ciência que era seu momento de reencontrar a Deus.

Amados irmãos e amadas irmãs, quando Deus nos liberta para que prossigamos na vida terrena, é porque não terminamos nossa missão e devemos ir em busca de um anúncio cada vez mais intensificado da boa nova do Senhor, para que enfim, possamos descansar em paz no colo do Pai. Hoje exorto a vós a importância de que adotem para seu carisma sacerdotal régio as virtudes de São Pedro e São Paulo. Sejam edificadores da Igreja do Senhor, sejam pontífices do povo de suas Igrejas particulares e do Reino de Deus, sem deixar de lado a saída ao encontro de vossos povos. Sejam árduos e dispostos na evangelização dos povos e não temam diante das adversidades, pois todos nós somos parte do plano de libertação e do propósito que Deus tem para cada um de nós.