Amados irmãos e amadas irmãs presentes, minhas singelas saudações a todos vós que se reúnem para a celebração eucarística dominical, de nosso VI Domingo do Tempo Comum. Continuamos a acompanhar a trajetória de Jesus Cristo até Jerusalém, para a consumação de sua missão de envio.
A Liturgia de hoje nos faz refletir sobre o dom da arbitrariedade que o Senhor nos concedeu. Um privilégio que Deus, dentre todas as suas criaturas, nos escolheu para receber. Um dom que salva, mas que também condena.
Na primeira leitura de hoje, extraída do Livro do Eclesiástico, vemos deste questão complexa que é o livre-arbítrio. O Senhor sempre nos mostra mais de caminho para que sigamos. E a nossa escolha está estritamente relacionada com nossa concepção da onipotência de Deus. Se tememos a Deus, não só por conhecermos o seu poder de julgamento, mas também seu amor por nós, sempre escolheremos, mesmo que pecando por muitas vezes, o caminho da água, da vida, do bem e da luz. Todavia, se não guardamos seus mandamentos e não reconhecemos o seu poder, como o fez Salomão, muito citado na liturgia da semana que se passou, perdemos os olhos de Deus sobre nós e nos atiramos ao fogo eterno das trevas.
Na segunda leitura, Paulo é muito sábio em apontar aos Coríntios um erro que cometemos ao colocarmos este nosso poder de escolha, acima da sabedoria e dos mandamentos de Deus. Ora, esta visão condenada por Paulo, dos homens produzirem a sua própria sabedoria, ao invés de deixarem sua alma sob a ação do Espírito Santo, acaba por se tornar um risco para a salvação das almas daqueles que os ouvem. Com isto, Paulo não quer que sejamos todos alienados e estagnados, sem buscarmos o aprimoramento de nossos conhecimentos, mas nos alerta que pensamentos de cunho iluministas podem nos afastar das Leis de Deus gradualmente, e quando menos esperamos, já perdemos a cobertura dos olhos de Deus.
E na conclusão da liturgia de hoje, temos o evangelho de Mateus, onde Jesus exorta a seus discípulos sobre o que é a verdadeira Lei de Deus, com o sermão da montanha. Esta arbitrariedade humana que tanto falo, chega ao ponto de pessoas alterarem o sentido das Leis divinas, por puro egocentrismo humano. Jesus, não com a pretensão de ser mais radical, mas sim com o intuito de estabelecer a perfeita sintonia entre a legislação terrena e a vontade Deus, mostra aos seus discípulos a verdadeira Lei que leva ao Reino do Pai. E por isso, logo no início de sua indagação, ele adverte aos presentes: "Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céus." Ou seja, mesmo que o mundo nos imponha Leis arbitrárias e contrárias à vontade de Deus, temos a OBRIGAÇÃO de impor o senso de justiça divino sobreposto à vontade humana.
Portanto, queridos irmãos e queridas irmãs, exorto a todos que sejamos submissos por amor à vontade e às leis de Deus. Saibamos usar o poder de escolha para decidirmos pelo caminho iluminado que nos leva ao Reino, e não ao caminho obscuro das trevas que nos leva à consumação no fogo eterno, tendo a ciência de que as Leis de Deus não são para nós um instrumento de coação e violência, porque nosso Deus é amoroso, mas um instrumento de liberdade do pecado.
Louvado seja o Nosso Senhor Jesus Cristo.

