Amados irmãos e amadas irmãs, minhas singelas saudações. Hoje nos encontramos nesta reunião em comunidade para a celebração da Santa Missa, que marca o quinto dia desta Jornada Mundial da Juventude, que estamos fazendo com tanto êxito e com o coração transbordante em fé, aqui na Arquidiocese de Olinda e Recife.
Na leitura de hoje, retirada do Livro de Samuel, vemos uma continuidade histórica que contamos há uns dias, desde o início do tempo comum. Vemos que, em primeira mão, o Senhor, por meio de Samuel, elege Saul como o Rei de Israel. Todavia, embora tenha sido obediente à primeira ordem do Senhor, Saul mostrou-se como um homem de interesses próprios. Desde sua efetivação como o Rei de Israel, particularizou suas metas, ignorando as vontades de Deus. É neste momento que os reis começam a querer ser deuses, ao invés de se manter submisso a uma divindade pré-existente. O Senhor, observando esta avareza de Saul, que só crescia ainda mais com seu materialismo, decidiu, pelas mãos de Samuel, novamente, dar a outro que considerava digno o reino de Israel, que no caso, é Davi, este que é ascendente que José, que posteriormente viria a ser o pai adotivo de Nosso Senhor. Por meio desta leitura, o que vemos é o início dos planos de Deus para a definição de uma árvore genealógica que se fechará com a chegada de Jesus Cristo, que é o Deus que elege um Rei para Israel, e depois vem à Terra para deter a sua coroa.
E, assim como temos uma continuidade histórica descrita na leitura de Samuel, vemos o mesmo acontecer no Evangelho de Marcos, onde vemos Jesus contrariar novamente as tradições ultrapassadas dos velhos costumes judaicos. No caso, o que vemos é Jesus ir de encontro o sábado sabático, que é uma tradição judaica existe até os dias de hoje, em que muitas atividades são vetadas aos judeus executarem. Assim como no Evangelho de ontem vimos Jesus desmistificar o costume do jejum em situações que não levam à sua prática, neste evangelho ele retorna para contrariar o sábado sabático. De fato, nós enquanto humanos, somos propensos à fadiga, e está exige um repouso. Porém, que loucura há em colher os produtos para o alimento? É necessário que tenhamos discernimento para separarmos os costumes que nos levam à uma fé piedosa e penitente, como o jejum de carne que devemos fazer às sextas-feiras, dos costumes que não nos levam à uma maior comunhão e semelhança com Nosso Senhor Jesus Cristo, como este costume sabático que fora destituído por Jesus.
Encerro esta palavrinha com um apanhado geral: que possamos ser sempre obedientes aos chamados e ordenamentos do Senhor, assim como Davi foi e será mostrado no decorrer da liturgia que lemos hoje, e não obedientes às ordens que apenas nos convém, como forma de aproveitamento próprio e oportunismo. E torno a rogar a vós, amados filhos e amadas filhas, que nos apeguemos apenas às tradições que nos fazem semelhantes e mais servos de Nosso Senhor, e nao tradições que necessitam da renovação e libertação que o Senhor propõe.
ASSIM SEJA! Amém.

