Homilia Papa Paulo IV - 4° dia JMJ

Amados irmãos e amadas irmãs, minhas singelas saudações a todos e todas. É uma imensa satisfação a mim estar nestas santas terras, onde pastoreou um dos grandes bispos do século XX e um dos maiores ícones da Igreja no Brasil, que foi Dom Helder Câmara. Assim como ele gostava e pedia, aqui estamos, com muita simplicidade e atentos à palavra de Deus, para os ensinamentos do dia a dia, que aprendemos ao nos reunirmos em comunidade. Saúdo o arcebispo metropolitana desta circunscrição pernambucana, Dom Miguel Dolezzio, que é nosso anfitrião para hoje e amanhã, nesta Jornada Mundial da Juventude 2020.

Na primeira leitura, extraída do Livro de Samuel, vemos o decorrer de uma passagem que se inicia quando o Senhor fala a Samuel que o filho de Cis, Saul, deveria ser o primeiro Rei daquela Israel antiga. Saul prontamente acatou a ordem do Senhor. Todavia, assim como qualquer um de nós, que pecamos por muitas vezes ao esquecermos que Deus quer nos encaminhar pelas vias corretas, Saul foi desobediente. Por puros traços materialistas, decidiu contrariar uma decisão que não cabia a ele, ao colocar sacrifícios de animais como um ato de maior valia do que o da pura obediência aos dizeres divinos. Por quantas vezes não cometemos este mesmo delito que Saul cometeu? Colocar nossos interesses próprios acima de um interesse de Deus. Sempre que nos colocamos nesta condição, de donos do que é certo ou errado, nos distanciamos da "realeza de Deus", como bem retrata Samuel. E que realeza seria esta? O estabelecimento de uma morada eterna, no Reino celeste de Deus.

O Evangelho do Senhor, contado a nós por São Marcos, nos mostra uma situação muito típica, ainda hoje, que é o apego aos antigos costumes, tradições etc. Nesta passagem, vemos Jesus ser questionado pelos fariseus, por conta dele e seus discípulos se fartarem, enquanto os fariseus e os discípulos de João jejuavam. Neste instante, Jesus se coloca como a figura do esposo daqueles que se fartavam em comer. Se Jesus, o esposo, estava presente, isto significava que todos deviam viver em alegria, afinal, Deus fazia-se com todos ali, então não era tempo de penitência, sim de festejo e aprendizado. Isto nos mostra que muitos costumes já não se faziam mais necessários naquela época. Muitas vezes, o apego a tradições ultrapassadas, que nos impedem de progredir, pode nos impedir de uma evolução espiritual e união maior com o que, de fato, devemos seguir e estar sempre vigilantes. Jesus não apenas libertou seu povo para uma vida longe de pecados, mas também libertou seu povo de falsas crenças, fazendo-o se renovar, olhar para novos horizontes que levavam ao Reino de Deus.

Encaminhando ao fim, encerro fazendo uma pequena menção aos mártires que hoje recordamos suas memórias: São Fabiano e São Sebastião. Ambos, mártires da fé, negaram-se a renunciar à Fé em Nosso Senhor Jesus Cristo e nas suas santas palavras do Evangelho. Nada calou os dois enquanto não foram martirizados, pois ambos sabiam que morriam na Terra, para renascer no Reino de Deus, para viverem na glória dos altares.

E somos convidados a vivermos a semelhança desses Santos. Sejamos obedientes aos ordenamentos do Senhor, renunciemos às falsas crenças populares, que nos levam a uma distância do que é certo para o Pai e vivamos uma vida disposta a não temeridade de um adventual martírio, seja pelo sangue ou pela ridicularização.